Morreu Juvenal, o último titular da seleção de 50


07/12/2009


O zagueiro Juvenal Amarijo, gaúcho de Santa Vitória do Palmar, nasceu em 27 de novembro de 1923 e faleceu no último dia 30 de outubro, em Salvador, aos 96 anos. A carreira de Juvenal teve início no Cruzeiro, de Porto Alegre, de onde se transferiu para o Flamengo em fevereiro de 1949. A estréia com a camisa rubro-negra foi diante da AA Francana, em Franca – SP. O Flamengo venceu por 3 a 0 gols de Esquerdinha (2) e Durval, no dia 13 de fevereiro.

No ano seguinte, Flávio Costa assumiu a direção técnica do Flamengo e o convocou para a disputa do campeonato sul-americano de 1949. Juvenal ficou na reserva de Nena e Mauro não atuando na competição.

A estréia com a camisa da seleção brasileira ocorreu no dia 7 de maio de 1950, em São Januário, na partida Brasil 2 x Paraguai 0 pela Taça Osvaldo Cruz. Seis dias depois, novamente diante dos paraguaios, em São Januário, Juvenal participou do empate de 3 a 3, sagrando-se vencedor da Taça Osvaldo Cruz.

Após perder para o Uruguai por 4 a 3, no Pacaembu, no dia 6 de maio em disputa da Taça Rio Branco, o Brasil voltou a enfrentar os uruguaios nos dias 14 e 17 de maio, em São Januário. Juvenal assumiu a posição de titular nos dois jogos vencidos pelo Brasil por 3 a 2 e 1 a 0.

No dia 24 de junho, o Brasil vencia o México por 4 a 0 na estréia da Copa do Mundo e Juvenal era titular absoluto, atuando em todas as partidas do mundial. O zagueiro nunca admitiu ter falhado na cobertura de Bigode no lance do gol de Gighia, que deu a vitória ao Uruguai por 2 a 1 e o título de campeão mundial:

“Bigode procurou tão somente me atingir, tentando com isso fazer com que o público se esqueça de sua parte no fracasso. Ora, espaço vazio só na cabeça dele. Houve a falha, pois o Danilo estava apoiando muito na frente e o Jair não perseguiu o Julio Perez. Eu fiz a cobertura. O Bigode que foi uma gracinha.
As razões do fracasso foram: excesso de confiança; excesso de patriotismo; excesso de políticos querendo cartaz atrapalhando a concentração e outros mais.
Quanto ao Augusto que também me acusou, tenho a dizer que como capitão teve um péssimo comportamento. Ele chamava a mim, ao Danilo e ao Rui para tomar cerveja às escondidas na Barreira do Vasco, onde também fritava lingüiça para servir de tira-gosto. Portanto, um capitão que agia assim traía a confiança de todos e hoje deveria estar arrependido de seu papel.”

Para a temporada de 1951, o Flamengo contratou o zagueiro Pavão junto a Portuguesa Santista. Sentindo que seu posto de titular estava ameaçado, Juvenal se transferiu para o Palmeiras, estreando no dia 18 de abril contra o Peñarol no empate de 0 a 0, no Pacaembu.

No ano seguinte, Juvenal conquistou o principal título de sua carreira ao se sagrar campeão da I Taça Rio, competição internacional que reuniu equipes campeãs de vários países.

O Palmeiras, após eliminar o Vasco nas semifinais, levantou o título diante da Juventus, da Itália. No primeiro jogo venceu os italianos por 1 a 0 gol de Rodrigues e na segunda partida com o empate de 2 a 2, gols de Rodrigues e Liminha, se sagrou campeão.

Quando deixou o Palmeiras, Juvenal seguiu para Salvador. Na capital baiana defendeu o EC Clube Bahia, pelo qual conquistou os títulos estaduais de 1954 e 1956, e encerrando a carreira no Ypiranga.

Há dois anos, em 2007, a TV Globo trouxe Juvenal para voltar ao Maracanã, palco em que como personagem ele viveu a maior tragédia do futebol brasileiro. A triste imagem de Juvenal numa cadeira de rodas não lembrava aquele moreno forte que um dia foi chamado de “Muralha Humana”. Os últimos anos de vida de Juvenal foram passados num pobre casebre na periferia de Salvador. 

A garotada rubro-negra cercou Juvenal no dia em que ele se apresentou ao Flamengo

O pequeno gandula entrega a Juvenal a bola que tinha ido parar na Lagoa Rodrigo de Freitas

Quando chegou ao Flamengo encontrou como técnico Togo Renan Soares, o famoso Kanela. Vemos a partir da esquerda, Kanela, o vice de futebol Francisco de Abreu, Esquerdinha, Walter Miraglia, o presidente Dario de Melo Pinto, e Juvenal

Juvenal observa a defesa de Garcia na vitória sobre o Arsenal por 3 a 1, São Januário, no dia 29 de maio de 1949, gols de Jair (2), Durval e Goring.

Moacir Bueno domina a bola enquanto Juvenal faz a cobertura, no amistoso Flamengo 6 x Bangu 5, no início da temporada de 1949, em São Januário. Os gols foram marcados por Durval (2), Jair, Esquerdinha, Beto e Bodinho; para o Bangu fizeram Moacir, Mariano, Moacir Bueno, Amaral e Mirim

Job, Garcia e Juvenal formaram no início dos anos 50 trio final rubro-negro.

Juvenal na equipe B antes de um treino, em Poços de Caldas. A seleção brasileira preparava-se para o sul-americano de 1949, no Brasil. Em pé, Flávio Costa, Barbosa, Rui, Mauro, Bauer, Juvenal, Juvenal, do Botafogo; agachados, Mário Américo, Tesourinha, Geninho, Nininho, Pinga e Nívio

Na seleção brasileira Juvenal estreou com vitória. 2 a 0 sobre o Paraguai, em São Januário, no dia 7 de maio de 1950: em pé, Juvenal, Nilton Santos, Danilo, Bauer, Castilho, Bigode e Johnson (massagista); agachados, Mário Américo, Friaça, Maneca, Baltazar, Pinga e Rodrigues

Seleção brasileira antes da final da Copa de 50, no dia 16 de julho: a partir da esquerda, Johnson, Mário Américo, Barbosa, Augusto,Danilo, Juvenal, Bauer, Ademir, Zizinho, Jair, Chico, Friaça e Bigode

A bola está no fundo da meta brasileira. Gol de Gighia para o Uruguai. Vemos Barbosa caído, Gighia ainda correndo, Bigode com a mão direita sobre a cabeça e Juvenal observando o lance junto a linha de fundo

Equipe do Palmeiras antes do 2º jogo contra o Vasco nas semifinais da I Taça Rio, em 15 de julho de 1951, no Maracanã: em pé, Salvador, Dema, Túlio, Juvenal, Fábio e Luiz Villa; agachados, Liminha, Ponde de Leoan, Richard, Jair e Rodrigues. Na primeira partida o clube paulista venceu por 2 a 1 em 11 de julho, no Maracanã

Juvenal assina a súmula antes da 1ª partida da final da I Taça Rio, diante da Juventus, da Itália. O Palmeiras ganhou por 1 a 0, no dia 18 de julho, gol de Rodrigues

Time do Palmeiras antes da final diante da Juventus: a partir da esquerda, Fábio, Luiz Villa, Juvenal, Túlio, Salvador, Rodrigues, Ponde de Leon, Lima, Dema, Jair e Liminha

No dia 28 de julho, o empate de 2 a 2, gols de Rodrigues e Liminha, Praest e Boniperti, deu o título de campeão da I Taça Rio ao Palmeiras. Juvenal e Jair após o jogo carregam a Taça Rio

Osvaldo “Baliza” – Juvenal conquistou o supercampeonato baiano de 1954 pelo Esporte Clube Bahia. Destacamos na equipe supercampeã o goleiro Osvaldo “Baliza” (2º a partir da esquerda), Juvenal (4º), Job (5º) e Nadinho (2º agachado).