Morre o ex-presidente da ABI Fernando Segismundo


Por Igor Waltz

19/05/2014


Acervo da ABI

Acervo da ABI

Morreu na manhã desta quarta-feira, 21 de maio, Fernando Segismundo, ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. Prestes a completar 99 anos em julho, o jornalista morreu de infecção generalizada no Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele estava internado há cerca de um mês, devido a uma fratura na clavícula, em decorrência de uma queda. O corpo será enterrado no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, na quinta-feira, dia 22, às 10h.

Segismundo deixou esposa, Gioconda Cavalieri, e filho César. O corpo foi velado durante a tarde do dia 21, na Capela 9 do Cemitério São João Batista.

O jornalista esteve à frente da ABI em duas ocasiões. Em dezembro de 1977, ele assumiu a Presidência durante o licenciamento médico de Prudente de Moraes, neto , e foi eleito para permanecer no cargo até maio de 1978. Ele voltou a ocupar a cadeira entre 2000 a 2004.

Sua carreira também foi marcada pela participação atuante em outras entidades de defesa dos profissionais de imprensa. Segismundo foi um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, em 1935, onde lecionou História Política e Econômica no curso de Capacitação Jornalística que ajudou a criar. Em 1957, foi secretário geral do VII Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado no Rio de Janeiro com o intuito de reunir e aproximar profissionais de todos os Estados do País.

Acervo ABI, eleição Barbosa Lima Sobrinho em maio 1978

Acervo ABI, eleição Barbosa Lima Sobrinho, maio  1978.

Carreira no jornalismo
Segismundo nasceu na cidade de Braga, em Portugal, filho do português Antônio Augusto Segismundo Álvares Pereira e da enfermeira brasileira Paulina do Nascimento Esteves. Aos 18 anos, aprovado em um concurso público, foi estimulado por um colega a seguir carreira no jornalismo. Nas primeiras décadas do século XX, a profissão de jornalista não era remunerada e muitos profissionais acumulavam a função com cargos públicos.

Sua estreia como jornalista foi em 1933, trabalhando à noite no jornal A Pátria, fundado por João do Rio e mantido por membros da colônia portuguesa no Rio. No mesmo ano, foi contratado pelo Diário de Notícias, onde trabalhou por 37 anos e exerceu diversas funções como editor da seção educativa e editorialista.

Foi autor de diversas livros que exploraram o universo dos jornalistas no Brasil, entre eles “Imprensa brasileira — vultos e problemas”, em que faz uma retrospectiva da ABI, de Gustavo de Lacerda à Era Getúlio Vargas; e “Barbosa Lima Sobrinho — o dever de utilidade”, em que resgata a obra do também ex-presidente da entidade. Durante o regime militar, integrou o rol de jornalistas presos, acusados de subversão.

Depoimentos

Milton Coelho da Graça

Fernando Segismundo constituiu ao lado de Prudente de Moraes e Barbosa Lima Sobrinho o trio de presidentes com que a ABI soube enfrentar a ditadura militar sem vacilações, sem medo, sempre coerente com a ideia básica de defender a imprensa e os jornalistas.

Não tive a oportunidade de trabalhar com ele em redação, mas convivi com ele dentro das dependências da ABI, onde por diversas vezes assumi assento no Conselho. Sempre fui um soldado fiel do professor Fernando, que foi um modelo de jornalista com ideias claras sobre a liberdade de imprensa e como defendê-la. Ele tinha a coragem e a sabedoria de se aliar com os patrões quando necessário. Sabedoria de compreender que a defesa de uma imprensa livre é essencial tanto para o dono do jornal quanto para o profissional.

A ABI foi uma instituição criada para defender a liberdade de imprensa, não para defender os interesses particulares nem dos patrões nem dos empregados. A ideia, até hoje, é defender a liberdade de imprensa e todas as liberdades. Esse é o nosso papel da ABI, sua missão na sociedade e essa o Fernando Segismundo executou da maneira mais eficiente e corajosa possível.