Morre Villas-Bôas Corrêa
aos 93 anos no Rio


16/12/2016


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Luiz Antônio Villas-Bôas Corrêa morreu na noite desta quinta-feira (15) por falência múltipla de órgãos. Segundo o portal G1, ele estava internado havia uma semana no hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio, com problemas respiratórios.

Villas Bôas tinha 93 anos, era viúvo de Regina Maria de Sá Corrêa e deixa dois filhos, três netos e três bisnetos.

Villas-Bôas Corrêa nasceu em 2 de dezembro de 1923, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Sua trajetória começou em 1948, no extinto jornal A Notícia, escrevendo pequenas notas. Ao lado do fotógrafo José Rodrigues, naquela época, Villas-Bôas cobria diversas pautas por dia, inclusive policiais. O jornalista também trabalhou no Diário de Notícias, jornal O Dia, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo – onde passou 23 anos na sucursal do Rio de Janeiro –, Rádio Nacional. Villas-Bôas trabalhou boa parte de sua vida no Jornal do Brasil, foram 30 anos dedicados ao jornal. A última coluna dele no Jornal Brasil foi em agosto de 2011, a Coisas de Política.

O jornalista também foi comentarista político da TV Bandeirantes e da extinta TV Manchete. Um comentarista de estilo elegante, sofisticado e profundo. Ao longo de todos estes anos, ele acompanhou de perto os principais fatos políticos do país, como a transferência da capital para Brasília, o golpe de 1964, a ditadura militar, a anistia, as Diretas Já. Um analista privilegiado de momentos marcantes da história do país.

Aos 85 anos, o analista político se autodefiniu como o “último sobrevivente da geração que cunhou o modelo de reportagem política que ainda hoje se pratica”.

O jornalista tem dois livros de memórias publicados: “Casos da fazenda do Retiro (2001)” e “Conversa com a Memória: a História de meio século de jornalismo público (2002)”, a autobiografia de um repórter político.

Villas-Bôas Corrêa entrou na Faculdade Nacional de Direito em 1943, onde presidiu o centro acadêmico. Foi na faculdade que desenvolveu seu perfil de analista político, o mais antigo do país. Se formou em 1947, quando já era funcionário público do Serviço de Alimentação da Previdência Social (Saps). Ele contou como ingressou na profissão em uma entrevista à Associação Brasileira de Imprensa.

“Meu segundo filho nasceu de cesariana e eu não tinha como pagar os 13 contos de réis das despesas com o hospital. Na verdade, só tinha 5 ou 6 contos de réis para o parto normal. Com o salário de funcionário público, jamais conseguiria saldar a dívida. Então, tive a ideia de tentar um emprego na imprensa junto ao meu sogro, o jornalista Bittencourt de Sá, na época aposentado. Ele me orientou a procurar o colega Silva Ramos, homem forte do jornal A Notícia, de propriedade de Cândido de Campos”, contou Villas-Bôas Corrêa.

 O jornalista e vice-presidente da Associação brasileira de Imprensa (ABI) Paulo Jeronimo de Sousa destacou o papel de ícone do jornalismo político de Villas-Bôas Corrêa.

“Ele foi um conselheiro histórico na ABI e participou de todo os fatos importantes para a democratização do País. Deixa um legado muito grande para as novas gerações”, disse o vice-presidente da entidade, Paulo Jeronimo de Sousa.

O jornalista e escritor Zuenir Ventura lembrou também a imparcialidade de Villas-Bôas, com quem trabalhou no Jornal do Brasil.

“Ninguém jamais soube das preferências políticas dele. Era muito íntegro e não foi só analista político, mas também um excelente repórter. Sua coluna tinha muita informação e se tornou uma referência”, contou Zuenir.

O escritor disse ainda que o acidente doméstico que interrompeu a carreira do filho, o também jornalista Marcos Sá Corrêa, em 2011, abalou profundamente o pai. “Ele sofreu muito. Foi muito doído. Começou ali, de certa forma, uma desistência da vida”, lembrou. Sá Corrêa sofreu um traumatismo craniano ao cair de uma escada em casa.

Leia entrevista com Villas-Bôas Corrêa ao ABI Online em 10/12/2008 :

http://www.abi.org.br/entrevista-villas-boas-correa/

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