Moacyr Scliar, um mestre da literatura


28/02/2011


A ABI registra com pesar a morte do escritor gaúcho Moacyr Scliar, aos 73 anos, na madrugada deste domingo, 27 de fevereiro, em Porto Alegre. Ele morreu de falência múltipla dos órgãos, no Hospital das Clínicas da capital gaúcha, onde estava internado desde janeiro, em decorrência de um acidente vascular cerebral.BR>
 
O sepultamento do corpo do escritor — que foi velado no domingo na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul — ocorreu na manhã desta segunda-feira, 28 de fevereiro, no Cemitério Israelita de Porto Alegre.
                                                         
 
Ao velório de Moacyr Scliar compareceram parentes, amigos, diversas personalidades e autoridades, entre as quais o Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), que anunciou a criação de um prêmio literário em homenagem ao escritor. A Presidente Dilma Roussef enviou uma coroa de flores.
 
Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Moacyr Scliar tomou posse em 2003, como sucessor do romancista e professor mineiro Geraldo França de Lima. Ocupava a cadeira nº 31, fundada por João Ribeiro, cujo patrono era Guimarães Jr.
 
Ao tomar conhecimento da morte de Moacyr Scliar, o Presidente da ABL, Marcos Vilaça decretou três dias de luto e falou sobre a atuação do colega como acadêmico e escritor:
— Foi um acadêmico múltiplo na ABL, com a ABL, pela ABL. Trabalhador incansável da cultura, Moacyr produziu uma obra respeitável e de grande poder de comunicação com o leitor. Ser humano agradabilíssimo, ele vai nos fazer muita falta e deixa saudade, afirmou o Presidente da ABL. 

Moacyr Scliar fez parte do grupo de personalidades acadêmicas que integrou a Comissão de Honra do Centenário da ABI, comemorado em 7 de abril de 2008. Em resposta ao convite que recebeu do Presidente Maurício Azêdo, ele disse o seguinte: “Honra é pra mim integrar essa Comissão. Conte pois comigo e receba os cumprimentos do Moacyr Scliar”.

Prestígio

 
 
Moacyr Scliar nasceu em 23 de março de 1937, no bairro judaico Bom Fim, em Porto Alegre. Filho do casal José e Sara Scliar, formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A mãe era professora primária e foi quem, além de alfabetizá-lo, despertou nele o gosto pela literatura.
 
Ele era um dos mais prestigiados autores brasileiros, cuja aptidão o levou a escrever romances, contos, ensaios, literatura infanto-juvenil, além das colunas para os jornais Zero Hora e Folha de S.Paulo. Seu primeiro livro foi “História de um médico em formação”. Lançado em 1962, nele o autor relata o seu trabalho como médico especialista em saúde pública, no início da década de 60.   
                                                         
 
Moacyr Scliar escreveu cerca de 70 livros, que foram traduzidos em vários idiomas. Ganhou muitos prêmios literários, tendo conquistado quatro vezes o Prêmio Jabuti. Em 1988, venceu a categoria “Contos, crônica a novelas” com o livro “O olho enigmático”. Depois, em 1992, na categoria “Romance” com o livro “Sonhos tropicais”. O autor foi premiado também em1999, com “A mulher que escreveu a Bíblia”. Em 2009, recebeu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Ficção, com a obra “Manual da paixão solitária”.
 
 
Entre os livros de maior destaque do autor figuram “A guerra do Bom Fim” (1972) e “O centauro no jardim” (1980, que lhe rendeu o Prêmio APCA), ambos de temática judaica. Ficaram famosos também seus livros “O exército de homem só” (1973), inspirado na trajetória do sanitarista Oswaldo Cruz, e “A majestade do Xingu” (1997). O último livro lançado por Scliar foi “Eu vos abraço, milhões” (Cia. das Letras, 2010), que tem como tema grandes episódios ocorridos no Brasil na no final da década de 1930, como a revolução deflagrada no período e personagens como Luiz Carlos Prestes.