Ministro Juca Ferreira participou de homenagem ao marinheiro João Cândido


Por Claudia Sanches

07/08/2015


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Visita do Ministro Juca Ferreira à Casa da Cultura, homenagem a João Cândido (Foto: Alexandre Campos)

A Organização não-governamental Casa da Cultura, em São João de Meriti, recebeu nesta quarta-feira (5) o ministro da Cultura, Juca Ferreira. O Ministério da Cultura (MinC) conheceu de perto a organização que trabalha há mais de 25 anos a história de João Cândido Felisberto, o marinheiro que foi protagonista da Revolta da Chibata e viveu no município e de seu filho caçula, Adalberto Nascimento Cândido, mais conhecido pelos amigos como Candinho.

A família do “Almirante Negro” faz parte da história da instituição e do município. A filha Zeelândia Cândido foi uma das fundadoras da instituição. Estiveram presentes na solenidade os netos e bisnetos, que participaram das atividades.

Visivelmente emocionado, Candinho, funcionário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) há 62 anos, conta que o pai escolheu viver em São João e foi um lugar mais tranquilo para a sua família. Ele lembrou que existe no bairro de Vilar dos Teles um busto em homenagem a João Cândido em frente ao Centro de Cultura e Direitos Humanos João Cândido Marinheiro. Mas que a história de seu pai ainda é muito deturpada e a população precisa valorizar os seus ícones. A maior parte das pessoas desconhecem, segundo ele, a cultura e a história da Baixada Fluminense:

— Fico muito feliz com esse reconhecimento. Tenho que dar continuidade à memória de meu pai. Depois do livro “Revolta da Chibata”, escrito por José Edmar Morel, que também foi sócio e Conselheiro da ABI, a história de João Cândido começou a ser retomada. Até então ele estava no anonimato.

Reconhecimento oficial

O fundador da Casa, Jorge Florêncio, e o gerente geral, Vinicius Oliveira, conversaram com o ministro sobre a parceria para uma campanha até 2019, ano que completará 50 anos de morte de João Cândido, para que o marinheiro seja reconhecido oficialmente como herói nacional. Florêncio ressaltou a importância da ação para o incentivo à cultura:

— Ter o ministro Juca em São João de Meriti é de fundamental importância para o incentivo à cultura. Agradecemos o olhar atento do governo federal para as questões culturais na Baixada. Queremos o apoio do  Ministério da Cultura para realizar a campanha nacional de reconhecimento do legado de João Cândido.

De acordo com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, “Essa pauta sobre a história de João Cândido é de fundamental importância para cultura do país. Estar em São João, visitar a Casa da Cultura, me deixa muito feliz. João Cândido foi punido pelas leis da época, mas foi um herói”.

Estiveram presentes diversas autoridades do MinC como os secretários de Articulação Institucional,  Vinicius Wu, de Fomento e Incentivo à Cultura, Carlos Paiva, de Audiovisual, Pola Ribeiro, a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Ivana Bentes, a presidenta da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, e a diretora substituta da Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, Suzete Nunes. Além do presidente da comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Zaqueu Teixeira, dos secretários de Cultura de Duque de Caxias, Jesus Chediak, de Nilópolis, Augusto Vargas, e de São João de Meriti, Fernanda Braga, vereadores, lideranças do movimento social, de igualdade racial e religiosos.

Segundo o secretário de cultura de Duque de Caxias e Diretor Cultural da ABI, Jesus Chediak, foi um privilégio participar das homenagens a João Cândido:

— Me senti muito prestigiado em estar ao lado de Candinho, nosso companheiro de ABI, e de vê-lo sentado ao lado do ministro Juca Ferreira e ver todos os secretários da Baixada apoiando esse tributo. Fiquei muito orgulhoso de ver João Cândido sendo reconhecido pelas instituições.

O ministro foi recepcionado por alunos de instrumentos musicais que entoaram “O Mestre-Sala dos Mares”, dos compositores Aldir Blanc e João Bosco, e pelo filho do Almirante Negro. A tataraneta do marinheiro, Natália Cândido, fez uma apresentação de dança com o seu esposo. O encontro terminou num almoço servido aos presentes.

A história contada em filme pelo filho de João Cândido 

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Candinho visita o monumento em homenagem a seu pai, na Praça XV (Foto: Rafael Melim)

Rio de Janeiro, 1910. Mais de um século se passou desde que 2400 marinheiros – em sua grande maioria negros – pararam a capital brasileira ao se rebelarem radicalmente contra a Marinha Nacional. Eles reivindicavam o fim dos maus tratos, que incluía a ordem de 25 chibatadas aos que cometessem faltas graves – resquícios evidentes do período escravagista.

O levante, que passou a ser chamado de Revolta da Chibata, tinha como um dos mais importantes líderes João Cândido Felisberto, conhecido posteriormente como o Almirante Negro. O curta-metragem documental “O Filho do Almirante Negro”, de Chico Santos e Rafael Mellim, acompanha Adalberto Cândido, ou Candinho, filho temporão de João, no trajeto que faz de sua casa em São João do Meriti até seu trabalho no Centro do Rio. Hoje, caminhar ao lado de Candinho é desvelar os passos dos marinheiros que ousaram lutar e nos ensinaram a enfrentar as formas de opressão colocadas no presente. O documentário também visita os lugares onde seu pai articulava com os companheiros de luta e revisita o monumento ao Almirante Negro, na Praça XV.

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