Livro de Jakobskind critica mídia nacional


29/09/2009


Será lançado oficialmente no dia 13 de outubro, no Café Lamas Restaurante, a partir das 20h30, o livro “A América que não está na mídia” (Editora Altadena, 2009), do jornalista Mario Augusto Jakobskind, membro do Conselho Deliberativo e da Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Expressão da ABI. O texto da orelha é do jornalista Fausto Wolff (1940-2008), a apresentação de João Pedro Stédile, dirigente da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST); e o prefácio é assinado pelo também jornalista Flávio Tavares. Um exemplar do livro foi doado ao acervo da Biblioteca Bastos Tigre da ABI.

A obra é composta por uma seleção de artigos, nos quais o autor passa em revista os principais acontecimentos políticos acontecidos na América Latina nas últimas décadas. Uma história que, segundo Mario Agusto, “vem sendo escrita na base do sangue, suor e lágrimas”, e que não é retratada fielmente pela imprensa brasileira, que, na sua opinião, tem coberto o continente de forma tendenciosa e preconceituosa.

É justamente aquilo que não apareceu na mídia nos últimos tempos, que o jornalista traz à tona na série de artigos que compõem o livro, originalmente publicados em sites como Direto da Redação, Tem Notícia e Fazendo Média, e no semanário uruguaio Brecha:
— Em relação aos acontecimentos relativos à Guerra do Gás, por exemplo, ocorrida na Bolívia em 2002 e que possibilitou a ascensão de Evo Morales, só faltou os editores da grande imprensa brasileira pedirem ao Governo que enviasse tropas militares para a Bolívia. O preconceito ficou patente na visão simplória que a mídia brasileira teve do episódio.

Para o jornalista, a América Latina tem avançado politicamente com governos que não aceitam a influência do imperialismo norte-americano, e, diplomaticamente, com a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul): “Ao mesmo tempo, a mídia não acompanha essa evolução”, declarou Jakobskind.

Sobre o autor

Mario Augusto Jakobskind iniciou a carreira jornalística em 1969, no Jornal do Brasil, onde trabalhou um ano no Departamento de Pesquisa. Ao mesmo tempo, atuava em jornais estudantis e de partidos políticos clandestinos, o que motivou seu auto-exílio em 1972, na Itália.

Atuando como jornalista na Europa, Mario Augusto ajudava a denunciar as atrocidades cometidas pela ditadura militar brasileira em matérias que assinava com o pseudônimo de A.F.

De volta ao Brasil, colaborou com jornais da imprensa alternativa como Versus, O Pasquim, Movimento, Crítica e Opinião. Em seguida, ingressou na sucursal Rio da Folha de S.Paulo, onde trabalhou até 1981.

Ainda nos anos 80, trabalhando para a revista Cadernos do Terceiro Mundo, Mario Augusto foi ao Uruguai cobrir a posse do Presidente Gregorio Alvarez: acabou preso e em seguida foi expulso do país. Agora, em desagravo ao acontecimento, o jornalista receberá, em outubro, o título de Cidadão Ilustre de Montevidéo, concedido pelo Prefeito da capital uruguaia, Ricardo Ehrlich.

Além de “América que não está na mídia”, Jakobskind é autor de “América Latina — Histórias de dominação e libertação”, “Apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba” e “A hora do Terceiro Mundo”.

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