9 de agosto de 2022


Lembranças da Band e do Paulo Stein


29/03/2021


Por Rogério Marques, jornalista, conselheiro da ABI

(Foto: reprodução da Internet)

Lamento profundamente a morte do colega Paulo Stein, aos 73 anos, neste sábado (27). Mais uma vítima dessa tragédia que estamos vivendo, a pandemia da Covid-19. Alguns sites, blogs, jornais estão lembrando o período em que o Paulo trabalhou na TV Manchete, realmente um período marcante, mas esquecendo sua época de TV Bandeirantes, aqui no Rio, no início de sua carreira como comentarista de esportes.

Foi logo nos primeiros anos em que a sucursal da emissora de São Paulo foi inaugurada aqui no Rio, em 1977, na Rua Álvaro Ramos em Botafogo. Somente muito tempo depois a emissora ficaria conhecida pelo diminutivo Band.

Cheguei lá para trabalhar em dezembro de 1978, vindo da mídia impressa, e encontrei no departamento de esportes alguns jovens e talentosos colegas que marcariam presença, durante décadas, no jornalismo esportivo brasileiro.

Além do Paulo Stein, Alberto Léo, Márcio Guedes, Márcio Tavares, José Roberto Tedesco, conhecido pelo apelido de Zé Cavalo, não sei bem porque, pois era uma doce pessoa. Lá estava também aquele que se tornaria o mais famoso jornalista na área de esportes da TV Globo, Galvão Bueno.

Naquela época, a sucursal carioca da TV Bandeirantes ocupava um prédio extremamente simples, de três ou quatro andares, sem elevadores. Passávamos o dia subindo e descendo escadas, porque cada departamento ficava em um andar. O estúdio no térreo, o Jornalismo diário no segundo andar, o Esporte no terceiro. Tempo das gravações em filme, tempo da moviola.

Éramos todos jovens em início de carreira, na faixa dos 20 anos, começo dos 30, como o Paulo da foto. Eu era editor do Jornal Bandeirantes, mas o contato com os colegas do Esporte, do andar de cima, era permanente, porque a empresa era muito pequena. Todos já mostravam o temperamento que os acompanharia por toda a vida.

Lembro perfeitamente de cada um daqueles colegas.

Alberto Leo, que também já se foi, aos 65 anos, era um tipo mais tímido, contido e muito simpático. Só uns 30 anos depois, quando já não trabalhávamos mais na mesma empresa, fiquei sabendo que era judeu, por acaso, quando o vi saindo da sinagoga Beit Aron, na rua onde moro, em Laranjeiras. Conversamos rapidamente pela última vez, porque logo depois morreu. Seu nome era Alberto Leo Jerusalmi.

Galvão Bueno apresentava as notícias de esporte no jornal Primeira Edição, que ia ao ar às 13 horas. Já era marrento, posudo. Um dia quase saímos no tapa por besteira, na tensão diária de um trabalho com pouca estrutura e muita cobrança.

José Roberto Tedesco, o Zé Cavalo, de corpo avantajado, era um garotão, temperamento de criança, sentimental. Lembro que um dia contou que foi ao cinema e chorou no filme “Rock, um lutador”, não sei exatamente em que trecho, porque nunca assisti ao filme.

Márcio Tavares, gente boa, era meio nervosinho, isso mesmo, nervosinho. Morava no Grajaú. Depois da Bandeirantes seguiu carreira no Esporte do jornal O Globo, por muitos anos. Continua aqui no planeta e no Grajaú.

O outro Márcio, o Guedes, era o bonitão do pedaço, com seus olhos verdes, pinta de galã. As moças ficavam irrequietas na presença dele, e alguns moços também. Depois da Band, trabalhou durante muito tempo no jornal O Dia, onde escrevia coluna de esportes.

E o Paulo Stein, que acaba de partir, era outro gente boa daquele time de craques. Veio da Rádio Tupi, e do jornal O Fluminense, por onde também passei. Minha maior lembrança dele foi de sua felicidade, na redação, quando nasceu sua primeira e única filha, Natasha, por volta de 1980. Depois da Band, Paulo Stein fez sucesso no Esporte da extinta TV Manchete e também nas transmissões dos desfiles do Carnaval carioca.

Era uma turma apaixonada pelo que fazia. Apaixonada, mesmo. Mas tudo passa, a vida também passa, e nessa tragédia que estamos vivendo lá se foi o Paulo Stein, que era quase um vizinho de bairro. Eu em Laranjeiras e ele no Catete, na Rua Machado de Assis, onde morou por muitos anos, até a morte, no velho edifício Palacete Valença, de belo estilo arquitetônico art déco. Às vezes nos esbarrávamos nas proximidades do Largo do Machado e conversávamos, no meio daquele vai-e-vem de tanta gente.

Vai deixar saudade o Paulo Stein, muita saudade. Cumpriu da melhor forma sua missão aqui no planeta.

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