Laudo da CNV aponta que morte de JK não foi homicídio


Por Igor Waltz*

25/04/2014


O ex-presidente Juscelino Kubitschek e seu motorista, Geraldo Ribeiro, não foram vítimas de homicídio. Eles morreram em decorrência das lesões causadas pela batida entre o Opala que transportava o presidente e um caminhão Scania, que vinha no sentido oposto da Via Dutra, local do acidente. Esta é a conclusão da Comissão Nacional da Verdade sobre o caso, divulgada na última terça-feira, 22 de abril, em Brasília.

O caso é analisado pela CNV desde setembro de 2012 e passou por uma longa análise pericial. Kubitschek morreu em um acidente de trânsito em 22 de agosto de 1976 em Resende, no Rio de Janeiro.

De acordo com os peritos que assessoraram a Comissão da Verdade, um ônibus da Viação Cometa bateu no opala em que o ex-presidente viajava, para o Rio de Janeiro. O Opala atravessou o canteiro central. O motorista teria tentado uma manobra para alinhar o carro na pista contrária, sentido São Paulo. Mas não foi possível porque o carro foi atingido por um caminhão. O intervalo entre a batida do ônibus e a colisão frontal com o caminhão foi de 2 segundos e foram percorridos 44 m em linha reta.

Para os peritos, o fato de o motorista ter tentado a manobra indica que ele teve capacidade de reação, o que seria impossível se tivesse levado um tiro na cabeça. “Um tiro na cabeça, como foi a hipótese relatada, a pessoa perderia o controle de direção completa e definitivamente do veículo, o que não aconteceu”, aponta o perito Pedro Cunha.

Os especialistas também descartaram que o crânio do motorista Geraldo Ribeiro tivesse uma perfuração de bala. Segundo eles, houve uma fratura no crânio, durante a exumação do corpo.

A CNV foi aos arquivos dos processos e encontrou no Museu do Tribunal de Justiça o fragmento metálico encontrado no crânio do motorista Ribeiro quando seus restos mortais foram exumados em 1996. O material foi escaneado pela Polícia Federal e trata-se do mesmo tipo de liga metálica utilizada em peças de metal usadas para afixar forros de caixões. O tamanho do fragmento é menor que um projétil de calibre .38, por exemplo.

Não há nas dezenas de documentos, laudos, fotografias analisados pelos peritos da CNV “qualquer elemento material que, sequer, sugira que o ex-presidente JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, tenham sido assassinados”, afirma Pedro Dallari, coordenador da Comissão Nacional da Verdade.

*Com informações da CNV, do portal Globo.com e do jornal Zero Hora. 

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