Jornalistas se reinventam: “Cair na rede é negócio”


Por Claudia Sanches

07/04/2016


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Os debatedores Altamir Tojal, Rosayne Macedo, Patrícia Ladeira e Marcio Gonçalves (Foto: Reprodução)

Existem muitas oportunidades nas redes sociais, mas é preciso saber gerenciá-las. Essa foi a conclusão do painel “Redes Sociais e Multicanais On-line – O negócio é cair na rede”, a quinta edição do Reinventar/JornalistasRJ, realizada no dia 6 de abril no auditório da ABI. O encontro reuniu mais de 120 profissionais de imprensa que desejam otimizar o uso das plataformas digitais como ferramenta de negócio.

Estiveram presentes na mesa debatedora Altamir Tojal, membro da Comissão de Liberdade de Expressão e Direitos Humanos da ABI, do jornalista Hildelberto Aleluia, estudioso e pesquisador da Internet, de Márcio Gonçalves, professor e especialista no tema, e de Patrícia Ladeira, especialista em gerenciamento em mídias digitais. Os encontros, em parceria com a ABI, são organizados pelas jornalistas Ana Carolina Almeida e Rosayne Macedo, moderadoras do grupo JornalistasRJ.

Tojal falou em nome da ABI, que está de portas abertas à iniciativa do grupo: “Apoiar a reinvenção dentro do trabalho jornalístico é parte da proposta da entidade. É nossa função acolher essa ação. Estamos vivendo uma fase difícil com os processos de demissão, as transformações da mídia no mundo e em função da grave crise econômica aqui no Brasil, mas estamos aqui para falar de busca de oportunidades. Vejo com muito otimismo as possibilidades tecnológicas. Os trabalhos em rede crescem e surgem muitas iniciativas criativas”, disse.

Lado bom da crise: união dos profissionais

Hildelberto Aleluia, professor de MBA de Gestão de Redes Sociais, lembrou a época que iniciou na profissão, quando o jornalista era um ser isolado numa redação com apenas a função de apurar e escrever e que a crise está rompendo as barreiras. “O jornalismo, tal como o conhecemos, está desaparecendo. Nós fomos preparados para lidar com a escrita, com a criação, mas não com a questão financeira. Existia um muro entre a redação e o comercial. Mas poucas vezes vi tantos jornalistas unidos à procura de um mesmo caminho como nesse encontro, num tempo em que as assinaturas e as audiências da TV aberta estão caindo. Temos que nos adaptar à nova realidade”, disse Aleluia.

Nesse momento em que todos são jornalistas e repórteres, Hildeberto  ressaltou que o diferencial da categoria é saber escrever e lidar com a informação.

“Mais redes, menos paredes”

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O professor Marcio Gonçalves (Foto: Reprodução)

Márcio Gonçalves, professor doutorado em ciência da informação, levanta a bandeira  ”Mais redes, menos paredes”, e falou sobre o jornalismo digital e outras plataformas. Ele defende a ideia de que nos dias atuais todos os profissionais têm que ter sua “página” na Internet e não devem parar de estudar. “Precisamos começar a produzir conteúdo, baseado nas histórias reais. As periferias, por exemplo, estão se apoderando, usando as plataformas digitais como forma de engajamento. Os sites como “Méier da Depressão”, entre outras iniciativas que valorizam a realidade local, são exemplos de práticas que informam em tempo real o que os telejornais não noticiam. Quando as tecnologias se renovam rapidamente, temos que estar sempre atualizados, temos que nos reciclar, estudem”.

O professor citou outra experiência inovadora de jornalismo praticado na Europa, chamada Winnipig Free Press que ajudou a reerguer jornais impressos. O negócio consiste em um café em que se apresentam bandas de rock. Os jornalistas entrevistam os músicos, cobrem os shows e publicam nos jornais. A jornalista Graça Duarte, do Jornalistas/RJ, falou sobre sua experiência de um café temático, o Café e Pauta, uma nova plataforma onde pratica jornalismo, através de parcerias com escritores e profissionais de mídia. “O jornalista está sempre de olho nas boas histórias. Não importa o canal que vão ser publicadas. Podem ser as notícias da sua comunidade ou a história de um morador de rua. O conteúdo pode navegar em qualquer canal, inclusive em um café. O negócio é integrar as pessoas. Sou a favor do coletivo. Quando criou o Facebook, Mark Zuckerberg pensou um ambiente para unir as pessoas”.

Patrícia Ladeira é analista de marketing especializada em produção de conteúdo para web e novas mídias e ministra cursos de SEO, Mídias Sociais. Através da Contenuto Comunicação desenvolveu diversos projetos para várias empresas.  Ela produz conteúdo e gerencia crises em mídias sociais em todos os setores, desde grandes empresas até pequenos empreendimentos individuais. “Hoje todos têm que estar nas mídias sociais. Mas é preciso saber gerenciá-las para aproveitar as oportunidades. Todos produzem conteúdo nas redes. A diferença entre o outro e o jornalista é a técnica”.

Buscando parcerias para capacitação profissional

A partir desta quinta edição, o projeto Reinventar JornalistasRJ-ABI passa a promover painéis temáticos quinzenais na ABI, com especialistas em diferentes áreas, levando mais conhecimentos técnicos para a capacitação e requalificação dos profissionais de Jornalismo, já que se percebeu grande demanda por atualização e reciclagem profissional.

Outra ideia é buscar apoio para fornecer oficinas, formatar um modelo de roda de negócios baseados em tecnologias do Sebrae, e criar um banco de talentos, com demandas e ofertas para que os participantes possam estabelecer possíveis parcerias para trabalho.

Ana Carolina Almeida, coordenadora da equipe de tecnologia, lançou essa semana o canal no Youtube do Reinventar/JornalistasRJ, onde já está disponível o encontro sobre mídias sociais. Carolina informa que o grupo está procurando voluntários para produção de conteúdo para o projeto. Os interessados já podem entrar em contato pelo e-mail contato.jornalistasrj@gmail.com . O grupo, que já tem apoio do “Café e Pauta Bristrô” e do “Rock Experience”  também tem apoio de instituições como o Sebrae.

Altamir Tojal finalizou o encontro com informações sobre a filiação à ABI. Segundo o jornalista, o engajamento é uma das formas de fornecer à entidade energia para que ela possa mostrar seu potencial: “A ABI tem um papel importante não só na história da imprensa como na do País. Temos um potencial enorme e o gesto de filiar-se é uma atitude na busca do engajamento da categoria”, concluiu Tojal.

Inscrições:

O próximo encontro está agendado para o dia 20 de abril, no auditório da ABI, na próxima quarta-feira com um painel sobre oportunidades na área de política, aproveitando 2016, ano de eleições.

Na próxima quinta-feira (14) o grupo JornalistasRJ estará num encontro de networking bar temático Rock  Experience, da jornalista Érica Ribeiro, na Lapa. A ideia, segundo Rosayne, é criar mais um espaço para estimular novas parcerias com os colegas.

 

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