Profissionais debateram negócios em parceria


Por Claudia Sanches

18/05/2016


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Malu Fernandes, Pagê, Cristina Alves, Paulo Araújo, Natália Viana Agostinho Vieira e Rosayne Macedo

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) recebeu nesta quarta-feira (18) em sua sede, no Centro do Rio, mais um evento de grande interesse para os jornalistas, principalmente num momento de transformação dos negócios no setor.

Durante o painel “Projetos colaborativos de jornalismo: o desafio de empreender juntos”, os profissionais compartilharam experiências bem-sucedidas na área de projetos colaborativos. O tema marcou o oitavo Encontro Reinventar , organizado pelo grupo JornalistasRJ, e moderado por Rosayne Macedo e Malu Fernandes.

Rosayne lembrou que o grupo surgiu com a expectativa de receber os profissionais demitidos das redações, mas se surpreendeu com a variedade do perfil dos seguidores. “A reinvenção está acima da qualificação e nicho de mercado e atinge um grupo mais diversificado. Com essa trajetória, podemos ver que surgem cada vez mais modelos de negócios colaborativos, como o Reinventar, disse a coordenadora do JornalistasRJ.

Agostinho Vieira abriu o evento contando como o ex-editor de O Globo  reuniu, ao longo da sua trajetória, algumas qualidades para fundar o portal #Colabora. “Eu já tinha sido repórter, acumulei um cargo de chefia em que me relacionava bem com o RH da empresa e sabia fazer contas. Para gerir um negócio não tem jeito, temos que acabar com a ideia de que jornalista não faz cálculos”. Todos podem participar do portal, que atua na área de sustentabilidade. Basta ter uma boa ideia, contar histórias e saber escrever. A proposta do Colabora, que tem como parceiros equipes como o “Atados”, estudantes de Administração da USP que buscam voluntários para o mercado, é abordar os temas de forma diferenciada da grande imprensa.

Diferentes abordagens e informação responsável

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Cristina Tardáguila, criadora da Lupa

Com 25 anos de jornalismo diário, Cristina Alves se uniu a mais seis jornalistas experientes e criou o site Mulheres 50+. Cristina admitiu que nunca se imaginou como empreendedora, mas a nova realidade do mercado a levou para esse caminho, já que a mídia tradicional não consegue mais acompanhar os acontecimentos.

A ideia do site surgiu da necessidade de dar voz a mulheres nessa faixa etária, que estão num período de mudanças muito importantes. “Estamos dando visibilidade a esse público, que não tem espaço na imprensa e se queixa muito de não ter com quem partilhar, inclusive na própria vida pessoal. As mulheres gostam de falar, de dividir”.

Para os novos profissionais que pretendem se reinventar na área de produção de conteúdo, Cristina deu a dica: “Escolham uma área que gostem e esteja carente de informação e tracem estratégias. O grande desafio é a construção dessas audiências”, sugeriu.

Cristina Tardáguila, criadora da primeira agência de fact-checking do Brasil, a Lupa, falou sobre como descobriu a checagem de dados na área de política que se tornou um sucesso pelo ineditismo no país. “Informação de qualidade na hora certa vai ter sempre mercado. O fact-checking é um ótimo filão a ser extremamente exercitado”.

Segundo Cristina, seu projeto exigiu um plano de negócios rigoroso – custo da ideia, busca de patrocínio e o currículo na profissão, onde a credibilidade tem grande valor.  “As mídias tradicionais estão veiculadas a interesses e nós checamos a veracidade dos dados e fornecemos ao cliente. Outra dica importante é fazer monitoramento nas mídias sociais de forma profissional para gerenciar as crises e publicitar o serviço”.

Natália Viana, diretora da Agência Pública de jornalismo investigativo do Brasil, tem como objetivo aumentar a qualidade do que é produzido em termos de informação pública. A ex-repórter da revista Caros Amigos, que começou na Pública há cinco anos, primeiro veículo de comunicação independente no Brasil, tem seu foco nas grandes reportagens. Ela optou pelo formato agência e pela cobertura de Direitos Humanos, área que não tem espaço nas redações. Natália parabenizou a iniciativa do grupo JornalistasRJ:  “Empreendimentos em parceria como o do grupo Reinventar é quase uma obrigação nossa. Cabe a nós, jornalistas, repensar a profissão e a a informação que circula sem a menor responsabilidade”.

Outro destaque da palestra foi a exposição de um plano de negócios da Cooperativa Solidária. O fotojornalista Paulo Araújo, que lidera um grupo de profissionais de mídia, mostrou os recursos necessários para fundar uma cooperativa para prestar serviços de jornalismo. “Juntos somos melhores. Há uma crise de credibilidade muito grande nos negócios da informação. Podemos trabalhar em cima dessa realidade. Somos jornalistas, ao contrário de grande parte das pessoas que ganham muito dinheiro no youtube ou em sites que não tem algum compromisso sério com a verdade”, ressaltou o fotógrafo.

O nono encontro Reinventar dos JornalistasRJ será realizado no próximo 1º de junho, também na sede da ABI, com o tema “Como empreender em jornalismo”.

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