Jornalista vai processar o Estado de Rondônia


26/01/2010


A jornalista Juliana Martins, do site Rondoniagora, foi presa no último sábado, dia 23, quando fazia a cobertura de uma operação policial em Porto Velho, capital de Rondônia. Ela foi detida sob a acusação de desacato à autoridade e encaminhada à delegacia, onde permaneceu por cerca de quatro horas, sendo liberada sem prestar depoimento. A primeira audiência do caso está marcada para o próximo dia 8.

Juliana, que nega a acusação de desacatado ao policial, afirmou em entrevista ao ABI Online que pretende entrar na justiça contra o Estado, e que apenas reclamou por ter sido impedida de ter acesso ao local da operação, ao contrário de outros veículos de imprensa:
—Na manhã do dia 23, o capitão do Centro Integrado de Operações Policiais (CIOP) informou que estava acontecendo um flagrante de assalto em uma fábrica de sorvetes. Segui para o local com o editor-chefe Eliânio Nascimento e outro jornalista do site, Valmir Miranda. Chegando lá, o grande número de populares e de viaturas policiais dificultava o acesso ao local onde estavam os assaltantes. Contudo, repórteres de duas emissoras de TV local, que exibem programas policiais, tinham total liberdade para fazer imagens e entrevistá-los.

Segundo Juliana, a agressão ocorreu quando ela tentava se aproximar para fazer a matéria:
—Ao tentar chegar próximo, como ou outros colegas estavam, um policial de trânsito que auxiliava os demais PMs começou a me empurrar e, em tom agressivo, mandou eu ir para a calçada. Eu me identifiquei como jornalista, disse que estava apenas querendo trabalhar, e quis saber porquê os outros dois repórteres estavam no local enquanto eu estava sendo impedida de passar.

Neste momento, de acordo com Juliana, o policial de trânsito decidiu dar a ordem de prisão.

—Ele ficou muito irritado. Eu também estava irritada, especialmente com o privilégio dado aos colegas das emissoras de TV. Quando dei as costas e saí reclamando da situação, ele me pegou pelo braço e disse que eu estava presa por desacato, já que tinha ouvido eu proferir palavra de baixo calão. Outros dois policiais o ajudaram a me segurar. Meu chefe, que também é advogado, se aproximou para saber o que estava acontecendo e eles informaram a minha prisão por desacato.

Em uma viatura Juliana foi conduzida à delegacia, onde permaneceu por cerca de quatro horas, sendo liberada sem prestar depoimento.

—Fui colocada dentro da viatura na frente de várias pessoas. Chegando na delegacia, me fizeram ficar perto dos bandidos, os do assalto em questão, como uma criminosa, aguardando o policial registrar o boletim de ocorrência. Tive que entregar os meus pertences e aguardar no local onde ficam os presos, para todo mundo ver que eu estava detida. Quase quatro horas depois, sem ser ouvida por ninguém, assinei um termo circunstanciado e fui intimada a comparecer ao Juizado Especial Criminal, no dia 8 de fevereiro. Pretendo entrar com uma ação na Justiça contra toda esta arbitrariedade.

O Coordenador da Assessoria de Comunicação Social da Polícia Militar do Estado de Rondônia, Lenílson Guedes, afirmou ao ABI Online que está aguardando a manifestação oficial da jornalista sobre o caso:
—A queixa formalizada da jornalista Juliana Martins deverá ser encaminhada à Corregedoria-geral da PM para que comece a investigação sobre a suposta agressão; bem como sobre a acusação de desacato à autoridade feita contra ela. Quanto à denúncia de discriminação, vale lembrar que a Polícia Militar do Estado de Rondônia não admite censura ou privilégio a qualquer veículo de comunicação.

        

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