Repórter é detido durante cobertura em Porto Alegre


Por Claudia Sanches*

16/06/2016


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Brigada Militar durante ocupação da Secretaria Estadual de Fazenda (Foto: Reprodução)

Matheus Chaparini, repórter do jornal JÁ, foi preso na última quarta-feira (15/6) quando fazia a cobertura da ocupação dos estudantes na Secretaria Estadual da Fazenda, no centro de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

De acordo com o jornal Zero Hora, o jornalista foi levado junto com outras nove pessoas para à 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (3ª DPPA). Ele e o grupo passaram por exames de corpo de delito durante a tarde. Porém, Chaparini passou a noite no Presídio Central.

A policial Paula Paixão disse que Matheus Chaparini falou aos agentes que era cinegrafista, fotógrafo e repórter autônomo, negando vínculo com entidade jornalística. Ela acrescentou ainda que o jornalista teria cometido dois crimes, pois estava apropriando-se de um imóvel público e impedindo servidores de exercerem suas funções.

Segundo a publicação do perfil do jornal JÁ no Twitter, Chaparini teria se identificado para a Brigada Militar durante a condução para a delegacia, mas teria ouvido que “não fazia diferença alguma”.

No início da madrugada desta quinta (16/6), Chaparini foi liberado por alvará de soltura concedido pelo juiz Felipe Keunecke de Oliveira, depois de 14 horas de detenção.

Ele e outras nove pessoas foram autuados por dano ao patrimônio, resistência, associação criminosa, esbulho possessório (porque se apropriaram do imóvel), corrupção de menores e crime contra organização de trabalho.

A delegada ainda afirmou que que a Brigada Militar apresentou fotos da Secretaria depredada “com prejuízo e dano vasto”. “O comunicante do flagrante é a BM. Os PMS que depuseram no ato do flagrante, todos eles, foram unânimes que não houve exceção”. A investigação do caso ficará a cargo da 17ª delegacia.

O comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, Marcus Vinicius, disse desconhecer que um dos adultos era jornalista.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) emitiu uma nota em que repudia a prisão do repórter durante o exercício do seu trabalho, o que representaria  “uma tentativa de inibir a atuação da imprensa na cobertura e esclarecimento dos fatos”. Um advogado do sindicato foi colocado à disposição do profissional de imprensa.

*Fonte: Zero Hora

 

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