18 de agosto de 2022


Repórter é agredido e detido pela PM em São Paulo


18/07/2016


Major da PM segura jornalista pelo pescoço durante operação de reintegração de posse em SP

Major da PM segura jornalista pelo pescoço durante operação de reintegração de posse em SP

O jornalista Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional e ex-secretário de Cultura de Ribeirão Preto (SP), foi agredido e detido pela PM enquanto cobria a reintegração de posse de uma fazenda pública invadida pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto), em Ribeirão Preto, no último dia 16. O governo Alckmin planeja vender essa e outras fazendas de pesquisa para a iniciativa privada.

A Folha de S.Paulo publicou que imagens que mostram o major da PM Paulo Sérgio Fabbris avançando sobre o pescoço de Amorim e colocando-o algemado na parte de trás de um carro da polícia.

Segundo a PM, “desobedecendo à determinação legal do comandante da operação, o jornalista Galeno Amorim invadiu a área de segurança estipulada pela instituição e, por isso, foi contido pelos agentes da lei, que usaram de força moderada para tal”, disse a corporação em nota.

Já Amorim narra a situação de outra maneira. Ele conta que foi ao local para cobrir a reintegração de posse, invadida horas antes pelo MST, sem encontrar qualquer interdição no caminho, chegando até o portão da fazenda.

“Lá fui informado que não poderia passar porque estava interditado, e respeitei, disse que ficaria do lado de fora. Aí o policial falou que eu não poderia ficar lá. Como assim? Sou um jornalista com 40 anos de profissão. Nisso, veio o major, alterado e nervoso, dizendo ‘suma daqui, não é o seu lugar'”, conta Amorim.

“Argumentei que tinha o direito de fazer a cobertura, pela liberdade de imprensa, conheço a legislação. Ele me deu uma chave de pescoço, torceu meu braço e outro oficial me levou algemado”, relata, dizendo que ficou poucos minutos no local. “Eu só argumentei que poderia trabalhar. Se isso for considerado desobediência, desacato, o mundo está perdido, acabou a liberdade de imprensa”, desabafa o jornalista, filiado ao PT.

Amorim ressaltou ainda que ficou mais de uma hora dentro de um carro da polícia fechado e estacionado no sol em frente a uma delegacia. Lá, os agentes registraram um boletim de ocorrência por desobediência, e Amorim fez outro por agressão.
Em nota, a PM diz que “a ação foi legítima e que o Major Fabbris agiu corretamente dentro dos ditames da lei”.

A detenção do jornalista aconteceu durante a cobertura da operação de reintegração de posse do Polo Regional de Pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, em Ribeirão Preto.

 

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