Jornalista americano sequestrado desde 2012 é libertado na Síria


Por Igor Waltz e Kika Santos

25/08/2014


jornalista libertado

Peter Theo Curtis foi libertado na Síria ( Foto: Reprodução/ Al Jazeera)

Peter Theo Curtis, um cidadão americano sequestrado por um grupo ligado a Al-Qaedana Síria, foi libertado, anunciou neste domingo (24) o secretário de Estado John Kerry, em um comunicado. O pesquisador e jornalista freelancer de 45 anos, nascido em Massachusetts, tinha sido sequestrado pela Frente Al-Nosra, mas o fato vinha sendo mantido em sigilo. Sua libertação foi anunciada no dia da cerimônia religiosa realizada em memória do jornalista James Foley, decapitado pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

A representante do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice, disse que Curtis está em segurança e já fora da Siria, mas não revelou detalhes sobre sua captura ou como e quando ele foi libertado.

De acordo com o jornal “The New York Times”, ele foi sequestrado em outubro de 2012, próximo à fronteira da Síria com a Turquia. Em junho deste ano, o jornal teve acesso a um vídeo no qual Curtis aparecia com as mãos amarradas e fazendo um apelo por sua vida, ao lado de um homem armado. Semanas depois, porém, um novo vídeo mostrava o jornalista afirmando que estava sendo bem tratado e que tinha acesso a “comida, roupas e até amigos”.

Nancy Curtis, mãe de Peter Theo, divulgou um comunicado à imprensa, no qual afirma que governo do Catar negociou para conseguir a libertação de seu filho por motivos humanitários. “Embora a família não conheça os termos exatos que se negociaram, representantes do governo catariano nos disseram repetidas vezes que estavam intermediando para conseguir a libertação de Theo por motivos humanitários, sem o pagamento de dinheiro”, disse Nancy.

Ela cita ainda Diane Foley, mãe do jornalista assassinado James Foley. Ela diz que elas se conheceram “durante estes longos meses de incerteza e preocupação”, período em que comprovou “a coragem de Diane Foley e seus esforços heroicos que ajudaram a levantar o espírito das famílias de todos os jornalistas e outros reféns”.

“Especialmente após uma semana marcada por uma indescritível tragédia, estamos todos aliviados e gratos por saber que Theo Curtis está voltando para casa”, diz o comunicado assinado por Kerry. “Ao longo destes últimos dois anos, os Estados Unidos recorreram a mais de duas dezenas de países pedindo ajuda urgente a qualquer um que pudesse ter ferramentas, influência ou poder para ajudar a conseguir a libertação de Theo e as de quaisquer americanos mantidos como reféns na Síria”, acrescenta a nota.

Terrorista identificado

Os serviços de inteligência britânicos identificaram o membro do EI responsável pelo assassinato do jornalista americano James Foley, de acordo com o jornal The Sunday Times, que cita altas fontes do governo. Embora as autoridades não tenham dado detalhes sobre o homem, o principal suspeito é Abdel-Majed Abdel Bary, de 23 anos, um ex-rapper que foi lutar na Síria junto aos jihadistas.
Segundo a EFE, Bary é conhecido por outros militantes extremistas como “Jihadi John”. No ano passado, ele teria dito que “deixou tudo pelo amor de Alá” para lutar pelo grupo jihadista. O pai dele, Adel Abdul Bary, foi extraditado para os EUA em 2011, onde enfrenta uma possível sentença de prisão perpétua por suspeita de ser um dos tenentes de Bin Laden na al-Qaeda e diretor de uma célula terrorista em Londres.

O vídeo que mostra a decapitação do jornalista foi divulgado na última terça-feira (19/8). O ato ocorreu em represália aos ataques aéreos dos Estados Unidos contra forças jihadistas. Fontes do governo americano informaram que uma operação militar secreta promovida em julho falhou na tentativa de libertar o repórter e outros cidadãos americanos sequestrados na Síria por terroristas.

O ministro das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse que a suposta origem britânica do jihadista representa uma “absoluta traição” aos valores do país. Ele ressaltou que seu governo investe “recursos significativos” para erradicar o que classificou de “barbárie ideológica” e que pode ameaçar o Reino Unido.

 

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