JB lança suplemento especial sobre a Rússia


10/03/2009


Como parte de um acordo firmado entre o Jornal do Brasil e o diário Rossiyskaya Gazeta, órgão do Governo da Federação Russa, o JB publicou, na última quinta-feira, dia 5, o caderno “Rússia hoje”. O suplemento mensal é editado em língua portuguesa a partir de traduções das matérias publicadas no diário russo. O objetivo é contribuir para a aproximação dos dois países.

A primeira edição de “Rússia hoje” contém oito páginas divididas em sete editorias: Negócio, Economia, Opinião, Sociedade, Cinema, Moda e Esportes. Na capa, matéria sobre a Máslenitsa, festa pagã eslava que celebra o fim do inverno e o início da primavera. Na Rússia pré-cristã, o evento assinalava o começo do trabalho no campo. Com continuação na editoria Sociedade, a reportagem busca aproximar culturalmente a Rússia dos brasileiros.

Ainda na primeira página, a Ministra do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Elvira Nabiullina, saúda os leitores do Jornal do Brasil pela parceria estabelecida com o Rossiyskaya Gazeta, lembrando que o Brasil está entre os principais parceiros da Rússia e é seu principal interlocutor na América Latina. A Ministra Elvira disse, ainda, estar convencida de que a cooperação bilateral atingirá novo patamar de interação:
— É preciso que as empresas dos dois países desenvolvam cooperação industrial, aumentem os volumes de investimentos mútuos, implementem a cooperação nas esferas de altas tecnologias e do intercâmbio inovador e ampliem o interesse das províncias russas e dos estados brasileiros para operar nos mercados dos dois países.

Economia

Na editoria Negócio, a matéria “Conselho empresarial Rússia-Brasil”, assinada por Daria Iúrieva, versa sobre a criação, no último mês, em Moscou, do Conselho ao qual aderiram executivos de grandes empresas russas dos setores estatal e privado. A criação do grupo foi liderada pelo Vice-presidente do Banco de Desenvolvimento de Atividades Econômicas Externas (Bneshtorgbank), Serguei Vassíliev, que afirma ser o Brasil um dos maiores parceiros econômicos da Rússia na América Latina:
— Nossa corrente de comércio em breve atingirá US$ 10 milhões. Mas hoje esse comércio se concentra fundamentalmente em produtos básicos. Os brasileiros exportam carne e açúcar para a Rússia, e nós fornecemos fertilizantes, combustíveis e grãos. Portanto, o Brasil e a Rússia têm possibilidades de cooperação nas áreas industrial e técnico-científica. Mas essas possibilidades ainda são pouco exploradas.

“Negócio” traz ainda uma entrevista com Alexander Ivlev, analista da Ernst & Young. Ele conta que foram criados na Rússia mecanismos eficientes de diálogo entre autoridades e empresas. Segundo o analista, para os investidores estrangeiros o país “continua a ser um mercado atraente, inclusive em tempos de crise”.

Estereótipo

A matéria “Grãos: a resposta para uma economia diversificada”, do jornalista Alexander Protsenko, publicada na editoria Economia, mostra a recuperação das fazendas improdutivas russas, que permitem que o país não dependa do trigo importado de outras nações.

A editoria Opinião é composta por artigos de Fiódor Lukiánov, cientista político e redator-chefe do jornal Rússia in Global Affairs; de Iákov Mirkin, autor e diretor do Instituto de Mercados Financeiros da Academia de Finanças do Governo da Federação Russa; e do especialista do Conselho Alemão de Política Exterior, Alexander Rahr.

Em Sociedade, o artigo “Brasil e Rússia: os extremos se atraem” expressa o ponto de vista do Doutor em Ciências Políticas Borís Martynov, para quem os dois países ainda têm uma visão estereotipada um do outro, o que, em sua opinião, precisa ser vencido:
— Analistas detectam na comunidade russa de negócios os velhos estereótipos, como a dependência extrema do Brasil em relação aos EUA e sua eterna pertinência ao Terceiro Mundo. Por outro lado, a Rússia também oferece aos brasileiros um conjunto de estereótipos, como o de ser um país gelado durante todo o ano, que tem como principal produto a vodka, e que suas principais cidades são habitadas por grandes ursos. A necessidade de rejeição desses clichês é ditada pela urgência dos problemas colocados diante da Rússia e do Brasil neste novo milênio. Estes obstáculos se agrupam em torno da ideia da segurança em sua mais ampla acepção. As relações entre os dois países envolvem a segurança espaço-territorial, econômica, energética e de alimentos.


Cultura

Na editoria dedicada à sétima arte, a matéria “Pouso depois da decolagem”, assinada por Janna Serguéieva, mostra a drástica queda de produção do cinema russo devido à crise financeira mundial. Em 2008, 100 obras entraram em cartaz nos cinemas russos. Já para este ano, a previsão é de apenas 15 filmes.

Escrita por Iliá Zubko, a matéria “Samba na grande área” aborda o mercado do futebol russo em expansão para jogadores brasileiros, mas lembra que os atletas encontram sérias dificuldades de adaptação, principalmente por causa do frio. Foram entrevistados Daniel Carvalho e Vagner Love, ambos do CSKA.

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