Prudente de Moraes, neto (1975-1977)

O atentado provocou reação indignada da sociedade em geral e discursos contundentes no Congresso Nacional. Solicitado por um repórter para falar sobre o assunto, Prudente de Moraes foi breve, mas incisivo: “A provocação não é à ABI, é ao Governo.

Também conhecido pelo pseudônimo de Pedro Dantas, com o qual assinou crônicas esportivas, Prudente de Moraes, neto foi eleito Presidente da ABI em 30 de setembro de 1975 e, além do jornalismo, dedicou-se também à poesia. Nos registros da história da ABI, consta que “exerceu o cargo com uma dignidade invulgar”. Foi em sua gestão que aconteceu o episódio do “suicídio” do jornalista Vladimir Herzog. Prudente viajou para visitar o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo e afirmar a solidariedade da ABI contra o ato criminoso praticado pelos órgãos de segurança paulistas.

Teve também firme atuação, em março de 1976, quando foram presos Maurício Azêdo e Luiz Paulo Machado. Segundo relato de Edmar Morel, o episódio aconteceu ao mesmo tempo em que Fichel Davit Chargel e mais 20 companheiros eram convocados a depor pelos órgãos de segurança. Prudente de Moraes conseguiu quebrar a incomunicabilidade dos presos, que, mais tarde, foram absolvidos por falta de provas. Jornalistas, entretanto, continuaram sendo perseguidos pelo regime. Como inúmeros outros, José Gomes Talarico, Samuel Wainer, Carlos Lacerda e Hélio Fernandes foram presos diversas vezes por causa de suas opiniões.

Nas reuniões do Conselho Administrativo, Prudente abordava esses episódios e dava conta de suas intervenções junto às autoridades sobre a situação de cada jornalista preso. Foi incansável nessa postura, tanto que, depois de a ABI ter sido invadida por fuzileiros navais, uma bomba de grande potência destruiu todo o 7º andar do edifício-sede. O atentado provocou reação indignada da sociedade em geral e discursos contundentes no Congresso Nacional. Solicitado por um repórter para falar sobre o assunto, Prudente de Moraes foi breve, mas incisivo: “A provocação não é à ABI, é ao Governo.”

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