Imprensa internacional repercute atentado contra revista francesa


Por Cláudia Souza e Igor Waltz*

08/01/2015


Charlie_charge

Jornais e revistas de todo o mundo estamparam em suas primeiras páginas, nesta quinta-feira, dia 8, a comoção provocada pelo ataque terrorista contra satírica francesa Charlie Hebdo. Em sua página na internet, a publicação definiu-se como um “jornal de sobreviventes” e assegurou que uma nova edição estará nas bancas na próxima quarta-feira, dia 14.

“Porque o lápis sempre estará acima da barbárie… Porque a liberdade é um direito universal… Porque você nos apoia…”, afirma o comunicado assinado pelos membros da revista confirmando a próxima edição.

Na imprensa francesa, fundos pretos e ilustrações homenagearam os 12 mortos, entre eles os cartunistas Cabu, Charb, Honoré, Tignous, Wolinski e o cronista Bernard Maris.

“Todos somos Charlie”, afirma o “Libération”;  “A liberdade assassinada” destaca o “Le Figaro”, que dedicou à tragédia o editorial intitulado “A guerra”. O jornal “Les Echos” convoca a sociedade a “enfrentar a barbárie” e destaca o último desenho de Charb. Com o título “Barbárie” sobre um fundo preto, o jornal “20 Minutes” repudiou o atentado terrorista.

Na Bélgica, o jornal econômico “L’Echo” afirma que “todos são Charlie” sobre um fundo preto com a reprodução de 17 capas da Charlie Hebdo. A primeira página do “De Tijd”, em fundo preto, estampa a frase “Sou Charlie”, em francês.

O “De Morgen” publicou em vermelho sobre um fundo branco a manchete “Estão armados!” diante de um personagem com um lápis.

No editorial desta quinta, 8, o “La Libre Belgique” compara o ataque contra a revista francesa ao atentado de 11 de setembro, em Nova York.

Já os britânicos “Daily Mail” e “Daily Telegraph” publicaram na primeira página fotos do momento em que os terroristas assassinaram um policial. O “The Times” intitulou “Ataque à liberdade” e o “The Guardian” “Ataque contra a democracia”.

O jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung” escreveu: “o ataque contra os jornalistas do Charlie Hebdo aponta contra o coração da democracia, a liberdade de imprensa. Na luta contra o terrorismo, não se deve retroceder”.

História

Com cerca de três décadas de circulação, o Charlie Hebdo sempre incomodou grupos conservadores ao desafiar tabus e usar o escárnio e a sátira escrachada para expressar seu ponto de vista. A publicação foi criada em novembro de 1970, para contornar a censura a outro jornal satírico, o Hara-Kiri, proibido pelo governo de circular à época por tratar em tom irônico a morte do estadista francês Charles de Gaulle.

Os jornalistas e cartunistas do Hara-Kiri decidiram então lançar a Charlie Hebdo, versão semanal do mensal Charlie, que mantinham em homenagem a Charles Brown, personagem de histórias em quadrinho do norte-americano Charles Schulz (1922-2000).

Herdeiro dos movimentos estudantis de Maio de 1968, o Charlie Hebdo disparava críticas ao catolicismo conservador, ao Partido Comunista, à hierarquia judaica, à extrema direita e ao terrorismo islâmico.

Pela revista, passaram grandes nomes do cartunismo francês: Gébé, Reiser, Cavanna e Siné, além de Cabu e Wolinski, ambos mortos no atentado.

O jornal também teve repercussão internacional em 2006, quando republicou as polêmicas charges de Maomé, da dinamarquesa Jyllands-Posten. Os desenhos geraram revolta de grupos islâmicos conservadores. Em novembro de 2011, sua sede foi incendiada em um ataque criminoso.

Em 2013, um homem de 24 anos foi condenado à prisão por ter pedido na internet que o diretor Stephane Charbonnier fosse decapitado por causa da publicação das caricaturas do profeta muçulmano.

*Com informações do G1 e da Folha de S. Paulo.

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