Homenagem a Glauber e ao Cinema Novo na ABI


28/03/2008


                                         Paloma e Eryk Rocha

A ABI abriu as portas do Auditório Oscar Guanabarino na noite desta quinta-feira, dia 27, para um debate em torno do Cinema Novo e da obra de Glauber Rocha. De acordo com Jesus Chediak, Diretor Cultural da entidade, a programação do Cine ABI 2008 terá início em 24 de abril com a exibição de “Terra em transe”, obra-prima do cineasta, dentro da Mostra do Centenário — A Imprensa no Cinema.

A iniciativa do encontrou partiu do crítico de cinema Dejean Magno Pellegrin, em desagravo a um comentário do humorista Marcelo Madureira sobre o ícone do Cinema Novo:
— Não poderia deixar de apoiar esta proposta fundamental nesses tempos em que a memória e o passado são preteridos — explica Chediak.

Parentes, amigos e admiradores de Glauber Rocha, como a jornalista Leila Richers e o cineasta Joel Pizzini — curador da restauração da obra de Glauber —, expressaram indignação durante o evento:
— Vamos entrar com um processo na Justiça, pois nos sentimos extremamente agredidos com o desrespeito ao Cinema Novo e à memória de um dos maiores cineastas do século XX. Causa espanto a violência do discurso, que atinge a história política e social do Brasil e a contribuição de meu pai para a cinematografia mundial. Num momento em que trabalhamos na restauração de toda a obra dele e o Tempo Glauber se torna uma referência no Brasil e no  exterior, este tipo de postura só pode partir de quem tem interesse em entrar neste mercado, mas carece de competência — afirma Paloma Rocha.

 Maurice Capovilla

Seu irmão, Eryk Rocha, destaca que o momento é de celebração da obra do pai e lamenta os comentários do humorista:
— O filme “O dragão da maldade” será lançado em circuito nacional no dia 13 de maio, juntamente com a caixa de DVD, que reúne os documentários realizados por meu pai, além da exposição “Glauber e a revolução baiana”. Esta manifestação é importante para revelar o descontentamento não só de parentes e amigos, mas de toda a sociedade que reconhece a relevância da arte de meu pai.

O talento de Glauber também foi lembrado pelo cineasta Maurice Capovilla:
— Convivi com ele quando trabalhava na Cinemateca Brasileira, entidade que aglutinou o pensamento do novo projeto de cinema que surgia. O local era um ponto de encontro dos cineastas desta geração, como Glauber, David Neves e Paulo Saraceni.

Para o ator José Marinho, que atuou em “Terra em transe” no papel de Gerônimo — um sindicalista que se torna Presidente da República —, Glauber está ao lado de grandes gênios como Fellini e Godard e agrega o pensamento visionário e inovador:
— Não me incomoda a opinião de quem quer que seja, mas sim o preconceito em relação à cultura nacional — resume Marinho.

    

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