Hoje já é outro dia


09/01/2023


Por Geraldo Cantarino, conselheiro da ABI

O Brasil escreveu no domingo, 8 de janeiro de 2023, uma das páginas mais tristes de sua história. Testemunhamos, acompanhamos e compartilhamos ao vivo cenas abomináveis de intolerância, depredação e violência no coração da capital do país.

Com a conivência de forças de segurança, hordas golpistas e terroristas invadiram espaços sacrossantos de instituições democráticas: Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Danificaram móveis e equipamentos. Arrombaram portas. Estilhaçaram janelas. Vandalizaram obras de arte. Saquearam objetos, documentos, armas e munições. Atacaram profissionais de imprensa.  Agrediram policiais e animais da Cavalaria da Polícia Militar. Deixaram um rastro de destruição, devastação e selvageria. Como se isso representasse uma tomada de poder, uma revolução. Nada disso. Foi uma ação deplorável – planejada, financiada, orquestrada, premeditada e anunciada. Um crime contra o patrimônio nacional. Uma afronta ao Estado Democrático de Direito. Um insulto à convivência democrática. Que os responsáveis, diretos e indiretos, sejam todos identificados, julgados e punidos pela força da lei.

O dia seguinte de qualquer evento trágico ou traumático é sempre um momento de reflexão. Em apenas uma semana, a Praça dos Três Poderes viveu dois momentos distintos. No dia 1º de janeiro, a posse do presidente Lula reacendeu a esperança de que é possível festejar a nossa diversidade com respeito e dignidade, arte e cultura, em busca de um país mais justo e solidário. Foi um dia histórico por tudo que estava ali representado. Um momento sublime de paz após quatros anos de caos. Sete dias depois, o legado do ex-presidente de extrema direita, candidato derrotado em incontestável eleição, veio à tona com a fúria ensandecida de seguidores teleguiados, financiados, radicalizados e extremistas. Basta a cada um de nós, brasileiros, escolher que domingo queremos daqui para a frente. E essa escolha já foi feita, democraticamente e sem sombra de dúvidas, pelo voto popular, em 30 de outubro de 2022.

Um país não vem pronto. É construído todos os dias. Por todos nós. E hoje vamos construir um país. E amanhã também. Sem revanchismo ou perseguições. A barbárie de ontem foi uma tentativa de enfraquecer e desafiar a democracia. Entretanto, fortaleceu ainda mais o desejo de construir o país que o Brasil merece. “Ninguém solta a mão de ninguém”. E vamos em frente.

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