12 de agosto de 2022


Hoje é Dia de Livro


19/07/2022


Fundação Anti-Indígena: Um retrato da Funai sob o governo Bolsonaro

Dossiê em 9 capítulos e 211 páginas, conclui que o infralegalismo autoritário ou assédio institucional é o modo de operar do governo Bolsonaro configurando a Funai caso exemplar da prática de destruição de políticas federais no Brasil durante o ciclo governamental 2019- 2022. No prefácio, os autores salientam que “a erosão por dentro da política indigenista se soma à de políticas como a ambiental, a cultural, a de relações raciais”. Para que não haja dúvida e nunca se esqueça, destacam de uma das tantas promessas do atual presidente quando em campanha: “Pelo amor de Deus, hoje um índio constrói uma casa no meio da praia e a Funai vem e diz que ali agora é reserva indígena. Se eu for eleito, vou dar uma foiçada na Funai, mas uma foiçada no pescoço. Não tem outro caminho.” – (Jair Bolsonaro, em campanha presidencial. Gazeta, 01/08/2018).

Produzido por servidores vinculados à entidade Indigenistas Associados, INA, associação de profissionais da Funai fundada em 2017, e pela organização não governamental Instituto de Estudos Socioeconômicos, Inesc, o livro é dedicado ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips e teve os Direitos Autorais liberados para ser baixado pela internet.

O pesadelo de uma nação: do golpe ao bolsonarismo

O autor, Marcelo Uchôa, advogado, membro do Grupo Prerrogativas e da Associação Brasileira de Juristas pela Advocacia (ABJD), pensou esse trabalho como um ato de resistência e coragem diante das atuais circunstâncias. O livro é uma coletânea de textos centrados na insurgência contra o período de trevas que se assenhorou do Brasil a partir do ataque à democracia no Brasil que culminou no golpe 2016 e, por sua vez, viabilizou a ascensão do bolsonarismo. Em pré-venda no site da Kotter Editorial.

O Terceiro excluído – Contribuição para uma antropologia dialética

O que pode essa Língua? Uma resposta a essa questão pode ser encontrada no desafio intelectual empreendido por Fernando Haddad, professor, ministro da Educação na gestão Lula, e atual candidato ao governo de São Paulo.  Em 2018, de uma conversa casual e doméstica sobre política e linguística com o professor estadunidense Noam Chomsky, criador do conceito de uma Língua comum em todas línguas das diversas culturas promotora de comunicação universal, o então candidato derrotado à presidência da República Fernando Haddad escreveu O terceiro excluído, incursão por regiões de conhecimento até então inexploradas pelo autor. No trabalho, Haddad provoca, costura e revê o diálogo entre biologia, linguística e antropologia com o objetivo de atualizar o debate público para fins de ação política emancipatória por um mundo menos desigual. Selo Zahar-Companhia das Letras. No link a seguir, entrevista de Fernando Haddad a Caetano Veloso sobre o livro https://youtu.be/o40A74dVLvY

O valor da informação: de como o capital se apropria do trabalho social na era do espetáculo e da internet

Os professores de Marcos Dantas, Denise Moura, Gabriela Raulino, Larissa Ormay examinam os processos do capitalismo contemporâneo  de geração de valor por trabalho não pago dos usuários nas plataformas e redes sociais da internet,  a produção e apropriação de rendas informacionais por meio do espetáculo audiovisual, com foco nos grandes campeonatos de futebol, e a apropriação do conhecimento pelos direitos de propriedade intelectual, além de aprofundar a análise de uma questão central:  a informação é uma mercadoria? “Hoje em dia, não há como negar que a informação foi reduzida a mercadoria e, assim, entendida acriticamente pelo senso comum” (…).” Nas últimas quatro ou cinco décadas, o capital veio fazendo da informação o alfa e o ômega de suas relações de produção e consumo. As plataformas sociodigitais, como Google, Facebook, YouTube e Instagram, têm estado presentes no cotidiano das pessoas. Quer seja para interagir com os amigos, trabalhar, comprar, fazer pesquisas ou apenas se divertir, as diversas práticas sociais estão cada vez mais integradas a esse tipo de mediação. A importância social e econômica que essas plataformas desempenham é significativa. O problema, no entanto, é a tendência de naturalizar a apropriação dessas tecnologias como plenamente positiva, olvidando as relações de exploração na qual se inserem – e que remetem diretamente às novas configurações do capitalismo e da sociedade contemporânea” _ destacam na Introdução. Boitempo Editorial.

Imprensa negra no Brasil do século XIX – Consciência em debate

Ao longo dos anos de 1800, negros letrados criaram espaços na imprensa, escrevendo ou dirigindo, para tratar de assuntos referentes ao combate ao racismo e outras questões que afetavam a comunidade de pretos e pretas imersos num Brasil sob o regime da escravidão. Por meio dos jornais de época, a pesquisadora Ana Flávia Magalhães Pinto traz e reconstitui uma história de resistência quase ignorada que muito contribuiu para o enfrentamento da discriminação e do preconceito racial ainda tão presentes nos dias de hoje. Editorial Coleção Consciência em Debate.

Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição. As polacas e suas associações de ajuda mútua

A rejeição manifesta às mulheres e jovens judias que desembarcavam em terras brasileiras no século XIX para servirem à prostituição levou as ‘polacas’, como eram por aqui chamadas, a criarem sociedades de beneficência e ajuda mútua independentes. No Rio de Janeiro, São Paulo e Santos, as polacas e seus cáftens encontraram o modo de se proteger da segregação sofrida pelos próprios imigrantes judeus que proibiam a entrada nas sinagogas, clubes ou sociedades beneficentes, além de não permitir que fossem sepultados nos cemitérios judaicos. No livro da historiadora Beatriz Kurshnir,publicado pela Editora Imago,  estão contadas as marcas materiais dessas relações, inclusive encontradas no vocabulário nosso de cada dia. As palavras “encrenca” e “sacana” têm origem nesse tráfico de prostituição feminina. Grande parte das judias era de origem eslava, por isso apelidadas ‘polacas’, que falavam o iídiche, uma mistura de elementos do hebraico, eslavo e alemão. Língua pouco conhecida, o iídiche serviu como um código secreto de comunicação entre essas mulheres. Quando suspeitavam que um cliente portava algum tipo de doença venérea, alertavam as demais chamando o sujeito de ein krenke, que em iídiche significa “doença” e foi abrasileirado para encrenca.com multiusos.  A prostituição embora não fosse crime pelo Código Penal, sofria constantes intervenções policiais por atentado ao pudor, vagabundagem e ameaça à saúde pública. Então, quando a política aparecia nos bordéis, as polacas gritavam sacana, que em iídiche significa “perigo”. Os policiais passaram a chamar as zonas de prostituição de “sacanagem”. Assim, sacana e sacanagem entraram para a língua portuguesa com o sentido pejorativo de indivíduo safado, canalha, de comportamento sem ética, libertino e devasso. E mais uma: o fetiche das polacas na mentalidade masculina ficou marcado no samba ‘Judia rara’, de Moreira da Silva, que diz assim: ‘A rosa não se compara A essa judia rara Criada no meu país Rosa de amor sem espinhos Diz que são meus seus carinhos E eu sou um homem feliz Nos olhos dessa judia Cheios de amor e poesia Dorme o mistério da noite Canta o milagre do dia A sua boca vermelha É uma flor singular E o meu desejo é uma abelha Em torno dela a bailar’. Informação compartilhada do blog Ensinar História https://ensinarhistoria.com.br/encrenca-e-sacana-palavras-originadas-no-trafico-de-mulheres/

Como vai o Planeta? 

Mafalda, a consciência crítica do criador Quino, não deixa passar nada nesse questionamento sobre ecologia, sociedade e política. Com sua graciosa indignação, inquieta o leitor com as perguntas sobre como vão o mundo, a guerra e a paz, e como lidar com a injustiça. O cartunista argentino Quino, falecido há dois anos, faria 90 anos no último domingo, dia 17, e segue vivíssimo na figura da sua garotinha do barulho. Editora Martins Fontes. Tradução de Monica Sthael.

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