22/01/2026
Por Luiz Paulo Lima (*)

Neste 21 de janeiro, celebramos os 172 anos do nascimento de Gustavo de Lacerda, o jornalista negro, catarinense, cuja visão transformou o destino da categoria no Brasil, fundando a Associação de Imprensa em 1908, que depois passaria a se chamar Associação Brasileira de Imprensa.
Lacerda, visionário, não apenas idealizou uma entidade de classe, mas ergueu o bastião da Liberdade de Imprensa, onde a política social, educação, pensamento crítico são valores que, a 117 anos, permanecem vivos como bussola para os jornalistas brasileiros.
Sua trajetória foi marcada pela coragem de quem compreendeu ainda no início do século XX, que a liberdade de expressão e a dignidade profissional caminham juntas. Ao fundar a ABI, Lacerda tinha um objetivo programático capaz de unir e garantir que o jornalista não fosse um trabalhador desamparado.
No estatuto, Lacerda previu que a instituição deveria manter “uma caixa de pensões e auxílio para os sócios e suas famílias; manter um serviço de assistência médica e farmacêutica; manter a sede social com biblioteca, salões de conferência e diversões, além de habilitar, por meio de título de capacidade intelectual e moral o pretendente à colocação no jornalismo.”
Sua herança é um convite permanente à reflexão sobre o papel social do jornalista e a necessidade de união em torno de valores democráticos. Celebrar a memória de Gustavo de Lacerda é, portanto, um ato de justiça histórica. Reconhecer no fundador da ABI, o pioneirismo de um homem negro num Brasil que ainda tateava os caminhos da República é reforçar o compromisso cotidiano com a diversidade e a preservação da nossa história.
Que seu exemplo inspire todos os jornalistas e comunicadores, mantendo acesa a chama da ética e da justiça social que ele bravamente iluminou.
(*) diretor de Igualdade Étnico-Racial da ABI