Gilmar Mendes foge de protesto no Rio


24/06/2009


Cerca de 30 estudantes e profissionais de Jornalismo se reuniram na tarde desta terça-feira, 23 de junho, em frente à sede da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (FGV-RJ), onde o Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, compareceu para uma palestra.

Com apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e da Fenaj, eles realizaram para mais um protesto em repúdio à decisão do Supremo Tribunal Federal de classificar como inconstitucional a exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão.

O Ministro Gilmar Mendes chegou à FGV, no bairro de Botafogo (zona sul), às 17h30, onde foi falar sobre “Gestão pública no Poder Judiciário — Desafios e perspectivas”.

Amparado por um forte esquema de segurança de PMs e guardas municipais, na chegada à FGV, o Ministro teve o seu carro cercado pelos manifestantes. Portando faixas e cartazes os jornalistas e estudantes permaneceram numa espécie de vigília em frente à FGV, concentrando as críticas no Presidente do STF. Gritavam palavras de ordem como “Jornalista diplomado é igual a advogado” e lembravam que “jornalista não é capanga”, em referência a palavras do também Ministro do STF, Joaquim Barbosa, que em discussão com Gilmar Mendes, durante sessão no Tribunal, disse que não era um de seus capangas. 

Na saída da Fundação Getúlio Vargas, o carro que conduzia Gilmar Mendes saiu, em desabalada carreira, em direção à Praia de Botafogo, para escapar do protesto indignado dos manifestantes. O protesto terminou por volta das 19h30, com a saída em disparada do Presidente do STF. 

Indignação

De acordo com informação publicada no site do Sindicato dos Jornalistas, os estudantes se revezavam no megafone e insistiam em chamar o presidente do Supremo de “Gilmar Dantas”, em relação ao banqueiro Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal e beneficiado por habeas corpus concedidos em duas ocasiões pelo ministro. Um dos estudantes deu a sua opinião sobre o caso:
— O ministro Joaquim disse também que Gilmar ‘Dantas’ mantém escravos em sua fazenda. E é isso que ele tem de entender: jornalista não é escravo”, reclamou o estudante Cláudio Neves, que de megafone em punho passou a gritar: “Ô Gilmar Dantas, pode esperar, sua hora vai chegar!”

Os estudantes anunciaram disposição de participar de outras manifestações de repúdio contra a decisão do STF. A manifestação desta terça-feira ganhou a adesão de outros trabalhadores, que passavam pelo local:
— Espero que os estudantes e os jornalistas não dêem paz ao Gilmar Mendes, enquanto ele continuar a desrespeitar as profissões, enquanto valoriza medicina e engenharia e só inclui advocacia por corporativismo, disse Cesar Araújo, vendedor de livros, que parou alguns minutos para se solidarizar com a manifestação.

O repórter-fotográfico Alberto Jacob Filho, diretor do Sindicato e Presidente da Arfoc-Rio, voltou a participar da manifestação vestido de cozinheiro, parodiando a comparação feita por Gilmar Mendes desta profissão com a de jornalista.

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