Gigantes da tecnologia investem em aplicativos
para leitura de notícias


Por Claudia Sanches*

14/07/2015


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(Reprodução: Google Images)

As grandes empresas tecnológicas pretendem conquistar os leitores e espectadores dos meios de comunicação. A maior delas, a Apple, anunciou, há um mês, que incorporará a seu sistema operacional iOS 9 um app (aplicativo para celular) denominado News, que selecionará e mostrará conteúdos próprios da “CNN” e de revistas como “Time”, “Wired” e Vanity Fair”.  Para ler e ver esses conteúdos não será mais necessário entrar no portal ou no aplicativo específicos do veículo que os criou.

O anúncio da Apple chega um mês depois de o Facebook ativar o Instant Articles, que compartilha do mesmo conceito: a rede social integra uma seleção de conteúdos de vários meios (“The New York Times”, “The Guardian” e “BBC” por exemplo) diretamente no mural, como se fosse o post de um amigo, e sem remeter à fonte original da notícia.

Para o proprietário do Facebook, Mark Zuckerberg, ninguém gosta de esperar que a rede social os redirecione para a página da imprensa:

— Muitos abandonam as notícias antes mesmo de carregar.

Entretanto, por trás do projeto há muito mais que o desejo de melhorar a experiência do usuário. Diversos estudos, como o da consultora digital Parsely, indicam que o tempo dedicado a ler ou assistir notícias é maior que o de outros conteúdos. Além disso, os leitores, em busca de atualizações, consultam a rede mais frequentemente.

Após anos de crise econômica, de vendas e de queda de receitas publicitárias, será que os veículos de imprensa vão aceitar a queda de movimento em seus sites? Para o analista de mídia e jornalista norte-americano Jeff Jarvis, não há outro remédio. Os jornalistas “têm de ir aonde estão os leitores e não continuar esperando que venham até nós”, afirma ao “El País”.

Google e Facebook, em sua opinião , conhecem melhor os leitores que a mídia e, em todo caso, a maioria dos acessos aos jornais já procede dos buscadores e – embora em menor medida – das redes sociais. O Facebook é cada vez mais usado para compartilhar notícias na Internet: em um ano, cresceu 45% seu uso com esse fim nos 20 veículos mais importantes do mundo.

Por outro lado, os projetos podem trazer à mídia novos leitores e conquistar os mais jovens, que abandonaram a televisão e a imprensa em papel como meios de informação para o mundo digital. Também podem compensar as perdas de receita com o rendimento da publicidade digital. O Facebook e a Apple não pagarão aos veículos de imprensa por seus conteúdos, mas darão a eles 70% dos lucros obtidos com publicidade que suas notícias gerarem novas plataformas.

As expectativas de crescimento do mercado publicitário digital se revelam promissoras. Segundo especialistas consultados, nos Estados Unidos esses ganhos já se igualam aos obtidos pela televisão.

Os buscadores se beneficiam muito desse mercado. Só na Espanha, por exemplo, as receitas com publicidade digital passaram de um bilhão em 2014; desse montante, 560 milhões foram para o bolso dos buscadores (com a hegemonia do Google) e o restante foi dividido entre os veículos de imprensa e as redes sociais. Em troca, no pequeno mas crescente segmento dos celulares e tablets, que movimentou 42 milhões de euros, a mídia e as redes obtiveram 77%.

Outras empresas do setor tecnológico apoiam estratégias diferentes da Apple e do Facebook. O Google destina 150 milhões de euros a projetos em jornalismo inovador, a Amazon incorpora a seu tablet Kindle Fire conteúdos do “The Washington Post” (compartilham dono, Jeff Bezos) e uma equipe editorial do Twitter selecionará diariamente os 25 ou 30 melhores tuítes informativos. Até o WhatsApp se animou, retransmitindo pela primeira vez um acontecimento informativo, a visita do papa Francisco a vários países da América do Sul.

O tempo de consulta da mídia em plataformas móveis está crescendo. Os norte-americanos já dedicam 2,8 horas diárias à consulta de notícias por essa via, frente às 2,4 do computador.

Entretanto, esse tempo ainda não rende lucros com publicidade nessas plataformas. Só nos Estados Unidos, calcula-se uma oportunidade de negócio perdida de 25 bilhões de dólares em 2014. O grande momento dos celulares está por chegar. O seu crescimento coincidiu com a crise econômica e publicitária, e os anunciantes não se adaptaram ao ambiente móvel tão rápido como faziam aos novos formatos. Muitos sites para os quais são redirecionados os anúncios já disponíveis nos celulares – acrescenta – continuam sem estar adaptados aos telefones e tablets. O anunciante não se atreve a dar o passo, embora haja cada vez mais formatos publicitários, menos intrusivos, que aproveitam as oportunidades específicas do celular.

O parque mundial de telefones celulares em 2014 chegava a 2,1 bilhões de terminais, 23% a mais que em 2013. O número de usuários de aplicativos se mantêm estável, mas aumenta o de sites móveis adaptados ao celular.

*Fonte: “El País”

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