30 de setembro de 2022


Geógrafo Milton Santos no Cine Macunaíma


23/11/2021


 

A globalização de Milton Santos no Cine Macunaíma

Cineclube Macunaíma continua hoje com a Mostra Silvio Tendler, e exibirá, semanalmente, às terças-feiras, filmes do cineasta até 14 de dezembro. Hoje, irá ao ar o filme Encontro com Milton Santos : o mundo global visto do lado de cá (2006) abordando os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias. Acompanhe a entrevista com o geógrafo baiano Milton Santos, gravada quatro meses antes de sua morte.

Milton Santos é um intelectual que, por suas ideias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo. Às 19h30, haverá debate com Silvio Tendler, o crítico de cinema Rodrigo Fonseca, além dos geógrafos Carlos Walter Porto-Gonçalves e José Borzacchiello da Silva. Assista pelo canal da ABI do YouTube, a partir das 10h de hoje até segunda-feira.

Filme

Os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias. Acompanhe uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos, gravada quatro meses antes de sua morte. Milton Santos é um intelectual que, por suas ideias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo. O filme tem 89 minutos.

Quando o mundo estava pautado pelo pensamento único da globalização, o professor Milton Santos foi a voz discordante, denunciando as perversidades do que chamou de globaritarismo, sistema econômico que provoca a concentração de riqueza entre os ricos e que distribui mais pobreza para os desfavorecidos. Fruto de sete anos de trabalho, Encontro com Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá ou O Mundo Global visto do lado de cá apresenta a última entrevista do geógrafo, gravada em janeiro de 2001, cinco meses antes da sua morte. Ele traça um painel das desigualdades entre o norte rico e o mundo do sul saqueado, apresentando alternativas e um prognóstico otimista sobre o futuro da humanidade. Dedicado às suas ideias, o filme mostra também seu percurso da Faculdade de Direito para o Jornalismo e a Geografia e fala de suas paixões, como Josué de Castro, Sartre, Rui Barbosa, Castro Alves.

Milton Almeida dos Santos foi um geógrafo, escritor, cientista, jornalista, advogado e professor universitário brasileiro. Considerado um dos mais renomados intelectuais do Brasil no século XX, foi um dos grandes nomes da renovação da geografia. Nasceu em Brotas de Macaúbas, 3 de maio de 1926 e morreu em São Paulo, em 24 de junho de 2001, aos 75 anos. Recebeu 20 títulos Honoris Causa, lecionou em 18 universidades e escreveu 41 livros. Ele ganhou o Prêmio Vautrin Lud, em 1994, o de maior prestígio na área da geografia. O prêmio é considerado “o Nobel da Geografia”. Milton Santos foi o primeiro e é o único geógrafo da América Latina a ter ganhado o prêmio em questão.

Em seus últimos livros, Milton Santos tratou da globalização. Ele abordou seus aspectos econômicos, analisando o papel das empresas na internacionalização do capital, mas também os fluxos financeiros e suas implicações na cultura local. O geógrafo brasileiro teorizou e criticou sobre estes aspectos do mundo contemporâneo, propondo, ao final de sua vida, uma globalização solidária, baseada em outros valores que a da hegemônica. Essas ideias são tratadas em um diálogo com autores que também estudaram a globalização e suas consequências.

Para Milton Santos, apesar de o mundo tornar-se unificado, em virtude das atuais condições técnicas que são uma base sólida para as ações humanas mundializada, a globalização se impõe à maior parte da população como perversidade. Vive-se uma dupla violência: a tirania do dinheiro e a tirania da informação.

Ele ressalta as três faces da globalização. A primeira seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; a segunda seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e a terceira, o mundo tal como ele pode ser: uma outra globalização. O que é a fábula da globalização? Aí vem novamente a questão da globalização como fábula, demonstrando a realidade que a fantasia busca encobrir. Ao chegar à última parte do texto, Milton Santos sugere uma nova globalização, mais humana, que então seria o inverso da perversa evolução que fora citada anteriormente.

Em seus últimos livros, Milton Santos tratou da globalização, abordando seus aspectos econômicos, analisando o papel das empresas na internacionalização do capital, mas também os fluxos financeiros e suas implicações na cultura local. O geógrafo brasileiro teorizou e criticou sobre estes aspectos do mundo contemporâneo, propondo, ao final de sua vida, uma globalização solidária, baseada em outros valores que a da hegemônica. Estas ideias são tratadas em um diálogo com autores que também estudaram a globalização e suas consequências.

Negro, pai e com 38 anos de idade, Milton Santos era um intelectual renomado em 1964.  Tornou-se bacharel em 1948. A vida profissional do intelectual baiano antes do golpe de 1964 pode ser pensada em três frentes: trabalho na imprensa, cargos públicos e atuação como professor universitário. Fez doutorado na França. Em 1964, Milton Santos já reunia uma vasta produção acadêmica. Numa listagem apenas dos livros, destacam-se: O povoamento da Bahia: suas causas econômicas (1948), Estudos sobre geografia (1953), Os estudos regionais e o futuro da geografia (1953), Zona do cacau. Introdução ao estudo geográfico (1957), Estudos de geografia da Bahia (1958), A cidade como centro de região (1959), A rede urbana do Recôncavo (1959), O centro da cidade do Salvador (1959), Marianne em preto e branco (1960), dentre outros. Era também redator do vespertino A Tarde de Salvador.

O professor Milton Santos foi preso em abril de 1964, estarrecendo muitos que não entendiam como um homem primorosamente dedicado às letras e a planos de melhoria social no âmbito do planejamento do Estado era um perigo para a “segurança nacional”. Milton Santos era antes de tudo um intelectual progressista, um pensador livre e que tinha na geografia seu encanto. O professor baiano era um homem de ideias, o que era um perigo, em 1964, para aqueles que sabiam usar prioritariamente a força repressora. Foi para o exílio na França, além disso visitara Cuba como jornalista na comitiva de Jãnio Quadros. O ex-presidente nomeou-o subchefe de seu gabinete civil.

Debatedores

Rodrigo Fonseca é crítico de cinema e roteirista. Formado pela UFRJ, escreveu séries e programas na TV Globo, entre os quais Os Trapalhões. Entrevista cineastas e estrelas das telas para o portal Almanaque Virtual.Publicou sete livros sobre audiovisual e o romance Como era triste a chinesa de Godard.

Carlos Walter Porto-Gonçalves é um geógrafo brasileiro e autor de livros sobre geografia social. Porto-Gonçalves foi presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros de 1998 até 2000. Em 2004, ganhou o Prêmio Chico Mendes em Ciência e Tecnologia do Ministério do Meio Ambiente.

José Borzacchiello da Silva é um geógrafo brasileiro e professor titular da Universidade Federal do Ceará conhecido por trabalhos sobre geografia urbana.

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