Fotógrafo brasileiro preso na Turquia é deportado


Por Claudia Sanches

14/05/2015


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De acordo com o Itamaraty, o repórter fotográfico brasileiro Gabriel Chaim, preso pela polícia turca há uma semana, quando tentava cruzar ilegalmente a fronteira da Turquia com a Síria, chegou ao Brasil nesta quarta-feira, dia 13, no aeroporto de Guarulhos. Assim que chegou a São Paulo, o fotógrafo, de 33 anos, que tem dois filhos pequenos, foi direto para casa encontrar a família.

Chaim , detido na última terça, dia 5, foi acompanhado por um funcionário da embaixada brasileira da prisão até o aeroporto.  Com grande experiência em guerras, o profissional de imprensa, que já havia lamentado por não não ter terminado sua missão na síria, insiste em voltar a campo:

— Quero retornar para a Síria. Só preciso saber os melhores caminhos, ver como entrar por outro país, e não pela Turquia. O perigo faz parte.  Meu trabalho é entrar em áreas de conflito. Se você não vai, ninguém fica sabendo do que acontece. Algum doido para fazer esse trabalho.

Em relato à imprensa, Chaim falou sobre os detalhes sobre o local onde ficou detido em um prédio de um órgão ligado ao ministério do interior da Turquia, em uma cela com cerca de 40 membros do grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Segundo ele, os agentes de segurança obrigaram que os presos se deitassem no chão, foram interrogados por 14 horas, apontaram armas para o alto, e os viajavam até na hora de ir ao banheiro. Ele descreveu a rotina dos detentos:

— A prisão era destinada às pessoas que tentavam cruzar a fronteira. Havia somente uma cela feminina e outra masculina, cada qual com cerca de 100 pessoas,  entre iranianos, afegãos, e outros de várias regiões. Os membros do Estado Islâmico ficavam de um lado. Quando eles iam fazer oração, cinco vezes por dia, todos ficavam em silêncio e a TV era desligada. Era um inferno.

Segundo o fotógrafo, ao ser levado à cela de madrugada, junto com o colega de profissão alemão com quem foi preso, os demais detentos quiseram saber sobre suas origens. Para ele, o fato de ser brasileiro contou a seu favor por causa da paixão do povo iraniano pelo futebol:

— Os iranianos logo nos puxaram para o lado deles para nos proteger.

Gabriel Chaim também contou que as crianças ficavam  na cela junto com os adultos e que havia briga na hora das refeições:

— Eles detêm as vitimas com as famílias. Havia até bebês de colo e um engenheiro com os sete filhos, que tentava fugir da Síria. Eles serviam somente duas refeições por dia: dois pães velhos com manteiga no café da manhã e um pouquinho de arroz frio com carne às 17h.

Especializado em fotografar e filmar áreas de conflito e crise, o fotojornalista elogiou o tratamento recebido da Embaixada Brasileira. Chaim estava documentando o conflito em Kobane, cidade que faz fronteira com a Síria. Esta é a quarta vez que ele viaja ao país desde o início da guerra civil, que já dura quatro anos e deixou mais de 210 mil mortos.

Além da guerra síria, Chaim fez coberturas como freelancer no Iraque, no Irã, na Faixa de Gaza e no Egito.

 * Informações do Ministério de Relações Exteriores e G1

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