14 de agosto de 2022


Fotógrafa do ZH indenizada por abuso de poder


16/06/2020


Repórter fotgráfica do ZH, Isadora Neumann, atingida por gás de pimenta durante cobertura (Crédito: ZH)

A repórter fotográfica Isadora Neumann, do jornal Zero Hora, venceu ação de indenização contra a Brigada Militar gaúcha por ter sido atingida no rosto por spray de pimenta durante a cobertura de protesto contra o fechamento do Queermuseu em Porto Alegre, em julho de 2017.  Ela cobria a prisão de duas pessoas – uma das quais também jornalista – quando um policial pediu para ela se afastar, o que foi atendido.

“Ao se afastar [e mesmo] sem apresentar resistência, o policial jogou spray de pimenta no seu rosto, atingindo seus olhos, e imediatamente [Isadora] passou a não conseguir enxergar, pelo período de 30 minutos, tendo sido socorrida”, aponta trecho da decisão judicial.

Em sentença, datada de 25 de maio, a juíza Adriane de Mattos Figueiredo entendeu que houve “atuação abusiva dos policiais” com a fotógrafa, com outros jornalistas e também contra manifestantes. “Logo, evidenciado o dano e o nexo causal entre a autora e a atuação abusiva dos policiais, restando claro o dever de indenizar”, complementou a magistrada, condenando a Brigada Militar ao pagamento de indenização no valor de R$ 2 mil. Por considerar o valor muito baixo, a defesa da jornalista irá recorrer.

Segundo matéria do portal UOL, a advogada de Isadora, Caroline Moreira Boff, disse que durante o processo, os policiais tentaram distorcer os fatos e afirmaram que a fotógrafa avançou contra os agentes. Entretanto, a defesa reuniu vídeos de outros profissionais que não mostram investidas de Isadora contra os policiais.

A exposição Queermuseu foi cancelada após ataques registrados nas redes sociais e no interior da exposição por algumas pessoas que classificaram o conteúdo como um “incentivo à pedofilia, zoofilia e contra os bons costumes”. Ao todo, a exposição reunia mais de 270 obras, de 90 artistas plásticos. Dias depois, entretanto, o Ministério Público do Rio Grande do Sul concluiu que as obras não faziam “nenhuma apologia ou incentivo à pedofilia” e recomendou a reabertura da exposição pelo banco, o que não foi feito.

 

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