10 de agosto de 2022


Filmes e convidados na homenagem a Aldir Blanc


05/05/2021


Aldir é homenageado no Memória Musical

No primeiro bloco do Memória Musical da ABI hoje, às 19h30, haverá uma homenagem a Aldir Blanc com a exibição dos trailers do curta -metragem João Bosco e Aldir Blanc- parceria é isso aí! – que estreou, ontem, no Canal Brasil – e do longa-metragem – Aldir Blanc – Ourives do Palavreado, em produção. O produtor cultural e apresentador do programa Paulo Figueiredo conversará com o cineasta Marcus Fernando, produtor-executivo do curta e com o jornalista Hugo Suckman que, junto com Marcus, dirige o longa-metragem, em produção.

No segundo bloco, a cantora Mariana Baltar e os músicos e compositores Josimar Carneiro (violão 7 cordas) e Jaime Vignolli (cavaquinho) fazem apresentações das composições do último CD que homenageia Aldir com suas músicas e parcerias: Os Arcos – Paixão e Morte. Mariana canta no álbum com o sexteto Água de Moringa. A compositora Manú da Cuíca e o escritor Luiz Pimentel também estão no programa, além de uma possível convidada surpresa. Assista pelo canal da Associação Brasileira de Imprensa do YouTube.

FILMES

O curta-metragem sobre o compositor fala de sua mais longa parceria que foi com João Bosco (década de 1970 e parte de 1980) e rendeu músicas  como Mestre Sala dos Mares (1974)  e O Bêbado e a equilibrista, sendo considerada como uma das duplas fundamentais da MPB. Com direção de Pedro Pontes e produção executiva de Marcus Fernando, o documentário registra um memorável encontro dos parceiros em 2013, na casa de Blanc, na Muda. As câmeras flagram momentos de intimidade rara, como aquele em que João Bosco mostra pela primeira vez a Aldir Blanc uma nova música da dupla, Duro na Queda. Eles discorrem sobre a gênese e a trajetória da parceria, que levou ao repertório nacional clássicos como De Frente pro Crime, que encerra o curta.

O longa documental Aldir Blanc – Ourives do Palavreado era um projeto de Marcus Fernando e Aldir topou.  Marcus, então, chamou o jornalista Hugo Suckman e partiram para a execução. O filme ainda está em produção.

A dupla passou uma tarde na casa do compositor, em março do ano passado, dois meses antes de sua morte por Covid.

– Colhemos um depoimento de mais de cinco horas. Voltamos em julho, dessa vez também com uma câmera, mas apenas para registrar detalhes  seu ‘bunker’ na Tijuca, seu escritório, seus livros e discos. É essa a ideia do filme, um mergulho profundo nesse universo do Aldir, revelando essa obra única na música popular brasileira –  diz Marcus.

Ourives do Palavreado – sobre a intensa trajetória de Aldir Blanc – traz a assinatura de Marcus Fernando em parceria com Hugo Sukman, biógrafo de Aldir. As filmagens estão bem adiantadas . Marcus Fernando, que é também produtor musical, desfrutou de intensa convivência e amizade com o compositor da Muda e respeitava a reclusão do compositor nos últimos anos que só recebia as filhas, netos e bisnetos e depoimentos, às vezes, por email. Marcus e Aldir tiveram mais de 20 anos de convivência, desde 1996, quando frequentavam o Bar da Maria, na rua Garibaldi, e o bloco de carnaval Nem Muda nem sai de Cima, além das madrugadas viradas na casa do compositor e cronista. Daí a ideia.

CD

 

O álbum Os Arcos – Paixão e Morte, com a cantora Mariana Baltar e o sexteto de choro Água de Moringa, lançado em 2019 nas plataformas digitais e em CD, foi inteiramente dedicado à obra de Aldir Blanc e considerado um dos melhores do ano.

 

Aldir gostou e enviou mensagens ao grupo como recompensa pelo trabalho de pesquisa, criação de arranjos e gravações. Entre elas estão as seguintes: “Desde menino, sempre tive uma caixa pra horas difíceis. Tinha soldadinhos preferidos, time de botão, figurinhas, estampas Eucalol, 2 ou 3 ‘olhinhos’ (as mais lindas bolas de gude) das cores do Universo… Mais tarde, tinha livros de bolso policiais, livros de capa e espada, e os detetives famosos, Sherlock, Charlie Chan… Tenho até hoje a caixa, com recortes, alguns livros, poucos CDs. ‘Os Arcos’ está lá. Tiro pra ouvir, choro pra caramba e boto na minha arca do tesouro. Muito, muito obrigado!!! Agradece por mim à galera que participou“. O compositor escreveu para Mariana enviar ao músicos do Água de Moringa. E mais: “É só ouvir o CD e volto pra Vila Isabel da minha meninice”.

 

No CD, Mariana Baltar canta as músicas de Aldir e suas parcerias, ao som do sexteto de choro Água de Moringa, formado pelos músicos Jaime Vignolli (cavaquinho), Josimar Carneiro (violão 7 cordas), André Boxexa (percussão), Rui Alvim (clarinete), Marcílio Lopes (bandolim) e Luiz Flávio Alcofra (violão).

 

ALDIR

Ele foi letrista, compositor e cronista, formou-se em Medicina com especialização em psiquiatria, abandonando a profissão para se tornar compositor e um dos grandes letristas da história da música brasileira.

Aldir Blanc Mendes  nascido em Vila Isabel, no Rio, em 2 de setembro de 1946, morreu na sua cidade, em 4 de maio de 2020. Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, foi autor de mais de 600 canções e teve cerca de 50 parceiros em sua carreira, destacando-se, além de Bosco, Guinga, Moacyr Luz, Cristovão Bastos, Maurício Tapajós e Carlos Lyra. Entre seus trabalhos mais notáveis como letrista estão Bala com BalaDois pra lá, Dois pra cáDe frente pro CrimeKid Cavaquinho, Incompatibilidade de GêniosO Ronco da CuícaTransversal do TempoCorsárioO bêbado e a EquilibristaCatavento e Girassol, Coração do agreste e Resposta ao tempo, esta com Cristovão Bastos.

Escreveu colunas em O Pasquim, Bundas,  O Globo, Jornal do Brasil e O Dia, muitas delas foram lançadas mais tarde como livros, caso de Rua dos Artistas e arredoresPorta de tinturaria e Vila Isabel, inventário da infância. Apaixonado pelo Vasco da Gama, escreveu, em parceria com José Reinaldo Marques, o livro Vasco – a Cruz do Bacalhau. Em sua obra, são várias as referências – implícitas ou explícitas – ao seu time.

Salgueirense e boêmio, ficou recluso em seu apartamento na Muda, na Tijuca, consequência de uma fobia social,  a partir de um grave acidente de carro, em 1991, que limitara os movimentos da perna esquerda. Em 2010, ao descobrir sofrer de diabetes tipo 2 e pressão alta, parou de fumar e consumir álcool. Em 2020, foi internado em estado grave com infecção urinária e pneumonia e morreu em decorrência da COVID-19. Sua morte foi lamentada no meio artístico brasileiro.

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