16 de agosto de 2022


“Filha de Músico,
Cantora é”


28/04/2021


Por Zezé Sack, Jornalista da Comissão de Cultura da ABI

A entrevista de hoje é com Amanda Bravo. Que é uma legítima “Filha da Bossa”, pois seu pai, Durval Ferreira, violonista e compositor, foi um dos criadores do gênero. E que nos anos de 1990 trouxe de volta à cena musical, o tão famoso “Bêco das Garrafas” em Copacabana. Projeto abraçado pela filha, que após a morte do músico em 2007, deu continuidade a obra e criação do pai. Cantora, compositora, produtora e empresária reassumiu essa casa da “Bossa Nova” em Copacabana, que foi reduto de grandes músicos como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Sérgio Mendes, Durval Ferreira, Elis Regina, Sylvia Telles, Baden Powell, Carlos Lyra, Roberto Menescal, entre muito outros.

– Amanda, como está sendo pra você e sua Família esse momento difícil da Pandemia? Fale um pouquinho disso.
Muito intenso, muito tenso e ao mesmo tempo muito amor! Amar é cuidar. Em casa 24h cuidando da minha filha, me revezando nos papéis de mãe, de filha e de dona de casa. Sem poder trabalhar como quase todo mundo, pois o “Bêco das Garrafas” está fechado, aliás, a cultura está fechada e não sabemos quando vai reabrir. A Pandemia tem quase a idade da minha filha. No início, também perdi a minha avó. Estamos sobrevivendo e isso, já é uma vitória, não deixo a peteca cair. Todos os dias dançamos, assistimos a programas leves, agora já consigo ir  na pracinha. Minha mãe se recupera de uma fratura e também tem uma vitória a cada dia. Tenho altos e baixos porque se não tivesse, não seria normal né? Mas, o carinho e a energia da minha filha e a música, me põe de volta nos trilhos e dançamos até passar.

-Na vida Profissional, como vai a carreira e o gerenciamento do “Beco das Garrafas” sei que já falou um pouco sobre isso, mas tem algo a acrescentar?
Carreira totalmente parada. Não sou muito usuária profissional das plataformas, não tenho o know-how de fazer minhas lives e também tem o momento mãe. Optei por deixar o rio correr e me dedicar 100% à minha filha, pois foi como a vida me impôs. E eu me sinto muito feliz no fundo, pois se não fosse a pandemia eu não poderia estar me dedicando 100% a ela, e isso é o melhor que eu posso fazer! Maria Cecília tem 1 ano e 4 meses e só precisa mesmo é de mim.

– O “Bêco das garrafas” segue sendo uma referência da boa música?

O Bêco está fechado. Fizemos uma reforma para adequar aos novos tempos, clareamos o ambiente e demos uma repaginada de leve. Mas continua sendo um lugar pequeno e fechado, sem ventilação. É muito difícil promover shows desse jeito e nem como bar acreditamos que funcionaria. Estamos tentando desde antes da pandemia autorização para colocar mesas e cadeiras do lado de fora e até hoje nada. Viemos de um governo que se pudesse atrapalhar, assim o fazia. Estamos aguardando esse novo nos ajudar de alguma forma. Estamos acumulando dívidas, mas temos ao nosso lado o proprietário do imóvel que é compreensível e ajuda a gente. Por enquanto, ainda temos o negócio. Mas não sabemos por quanto tempo e ninguém sabe. Esperamos que, quando voltarmos poder contar com o apoio da Secretaria de Cultura e de algum empresário que  goste da casa e apoie a memória.

– Que projetos tem para mais tarde.Quando melhorar a Pandemia, além do Bêco?

Sinceramente? Viajar com a minha filha!
Acho que a música ao vivo vai demorar Muuuuito a se reestabelecer. Não tenho nem em quem me inspirar porque ninguém sabe como será a experiência do ao vivo, no  pós pandemia. E esse é o meu negócio.

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