Ferramenta facilita
busca de dados públicos


13/06/2019


Foi lançada hoje uma ferramenta de análise de dados que permite monitorar o funcionamento do sistema de Justiça, sobretudo na sua relação com os outros poderes. O Justa é um projeto de pesquisa que se propõe a facilitar o entendimento do financiamento e da gestão do Sistema de Justiça a partir da visualização de dados públicos, em formato acessível e inovador.

Esse projeto do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), em parceria com a Open Knowledge Brasil, foi criado para identificar quando as mútuas interferências entre os três poderes deixam de servir à democracia e aos direitos da população e passam a refletir apenas benefícios para seus próprios membros.

 

Projeto nasceu a partir de uma tese da Luciana Zaffalon ao observar as relações entre os poderes no estado de São Paulo. Agora será expandido e ganhará uma maior sofisticação no tratamento e análise de dados para outros estados, e conta ainda com a assessoria de um comitê formado por integrantes de conceituadas instituições de pesquisa do Brasil e do mundo.

 

Em entrevista à Abraji, Luciana destaca o Justa como uma boa ferramenta para o desenvolvimento de pautas sobre o sistema judiciário. “A principal contribuição do Justa para o jornalismo é que ele traz para uma linguagem de fácil compreensão dados e informações do funcionamento de duas esferas fundamentais do Estado e que, não por acaso, são sempre apresentadas de uma maneira de muito difícil compreensão”, justifica a pesquisadora.

 

O principal desafio do projeto está na obtenção dos dados públicos necessários para que se possa observar as interferências políticas no Judiciário.  E estes dados se dividem em três eixos diferentes: orçamentário, legislativo e o da suspensão de segurança. A proposta é que os eixos se complementem e combinem informações para um mapeamento preciso de possíveis trocas de favorecimento envolvendo os poderes.

 

“O Justa usa dados abertos, mas muito poucos deles são acessíveis. Em geral, eles estão atrás de formulários ou captchas, alguns que nem cumprem os requisitos de acessibilidade na web previstos pela LAI. Sem contar que cada estado tem o seu padrão e, por isso, um desafio técnico diferente.”, afirma Eduardo Cuducos, líder do Programa de Ciência de Dados para Inovação Cívica da Open Knowledge Brasil e desenvolvedor no Justa.

 

Fonte: Portal Imprensa

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