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Feira do MST chega ao Largo da Carioca a partir de segunda-feira


05/12/2025


Por Gustavo Braz, em Agenda do Poder

A partir da próxima segunda-feira (8), o Largo da Carioca, no Centro do Rio, vai receber a 16ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes. Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o evento se estende até quarta-feira (10), prometendo ofertar cerca de 45 toneladas de alimentos agroecológicos e livres de agrotóxicos à população.

A feira, que já integra o calendário oficial da cidade, reunirá 120 expositores vindos de assentamentos de diversas regiões fluminenses — como Lagos, Norte, Noroeste, Sul e Baixada —, além de cooperativas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. A comercialização dos produtos começa sempre às 8h.

Esta é a primeira edição desde que o evento foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, em janeiro, por lei da deputada Marina do MST (PT). Além da venda de frutas, legumes, verduras e artesanatos, a programação prevê a distribuição gratuita de duas mil mudas de plantas, em uma parceria com a Fiocruz, Cedae e o instituto Cooperar.

Realizado na capital desde 2010, o evento homenageia Cícero Guedes, militante e agricultor agroecológico assassinado em 2013 em Campos dos Goytacazes. “As feiras estaduais têm como objetivo principal pautar a urgência do projeto de Reforma Agrária Popular como instrumento de democratização do acesso à terra”, destaca Livea Cristina Rodrigues, da direção estadual do MST.

Homenagem a Eunice Paiva

Um dos destaques da programação é a homenagem a Eunice Paiva, figura central na luta contra a ditadura militar e protagonista da história retratada no filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. Ela receberá a entrega póstuma da Medalha Pedro Ernesto — a maior honraria da Câmara do Rio.

O prêmio, concedido pela vereadora Maíra do MST (PT), será entregue ao neto de Eunice, Chico Rubens Paiva, em cerimônia na terça-feira (9).

A agenda política do evento inclui ainda seminários diários. Na segunda-feira, o debate foca na luta por terra e território; já no dia seguinte, o tema é alimentação saudável e o combate à fome, celebrando a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU; e no último dia, a discussão gira em torno da defesa da natureza contra a exploração predatória.

Variedade culinária

Para quem vai de olho nas opções gastronômicas, o evento contará com um espaço composto por seis Cozinhas Solidárias. Os pratos vão de preparos tradicionais — como cuscuz, arroz carreteiro e vaca atolada — até receitas criativas à base de mandioca, incluindo bolos, caldos, escondidinhos e empadas. Também haverá opções internacionais como empanadas, patacones e lasanha com banana-da-terra, além de doces, cafés, geleias e bebidas artesanais produzidas nos assentamentos.

Lívea Rodrigues afirma que as feiras buscam aproximar campo e cidade e defender o projeto de Reforma Agrária Popular. Já a parlamentar Maíra do MST destaca a importância da agricultura familiar e da identidade do campo na construção do evento.

“São os agricultores familiares que produzem os alimentos que chegam todos os dias às mesas das famílias brasileiras e nós precisamos valorizar esse trabalho fundamental para a sociedade. As feiras representam a construção de um espaço de luta e de expressão da identidade camponesa e da cultura popular aqui no Rio, que se manifesta pela organização das famílias e da produção, na diversidade de alimentos saudáveis, na troca de saberes e no cuidado com a terra”, ressalta a vereadora.