Ex-agente da CIA é condenado por vazar informações a jornalista


Por Igor Waltz*

27/01/2015


O ex-agente da CIA Jeffrey Sterling, à esquerda, deixa o tribunal com sua esposa Holly, centro, e o advogado  (Kevin Lobo / AP)

O ex-agente da CIA Jeffrey Sterling, à esquerda, deixa o tribunal com sua esposa Holly, centro, e o advogado (Kevin Lobo / AP)

Um ex-agente da CIA, envolvido em uma operação altamente secreta para dar fim aos planos nucleares iranianos, foi condenado nesta segunda-feira, 26 de janeiro, por vazar informações confidenciais a um jornalista do The New York Times. Jeffrey Sterling, de 47 anos, foi considerado culpado de nove acusações pelo júri do Tribunal de Alexandria, no Estado da Virgínia, apesar de o jornalista James Risen ter se negado a revelar sua fonte. A sentença final de Sterling será conhecida no dia 24 de abril.

Sterling foi acusado em 2010 de passar informações sobre um complô contra o programa nuclear iraniano, que haviam sido publicadas no livro “State of War”, lançado por Risen em 2006.  A promotoria conseguiu convencer o juri que Sterling, expulso da CIA anos antes da publicação do livro, atuou movido por vingança e pôs em risco a vida de agentes da inteligência norte-americana, entre eles um cientista russo que forneceu ao Irã planos para instalações nucleares deliberadamente falsos.

A acusação do governo não apresentou provas diretas da conexão entre Sterling e Risen, como registros telefônicos ou e-mails, mas considerou que o ex-agente da CIA era o único com a informação e a motivação para realizar o vazamento. A defesa tentou provar que outras pessoas poderiam ter vazado os detalhes do plano para que o Irã investisse em planos nucleares repletos de falhas criadas pelos Estados Unidos.

Em um comunicado, o procurador-geral dos EUA Eric H. Holder Jr. disse que o veredito foi um “resultado justo e apropriado”. “A divulgação colocou vidas em risco, e constituiu uma violação flagrante da confiança do povo em alguém que havia jurado defendê-lo”, disse Holder.

O programa da CIA para atrasar os avanços nucleares do Irã teve que ser suspenso definitivamente com a publicação do livro. Risen chegou a ser intimado pela Promotoria Federal a depor para revelar sua fonte, o que não ocorreu graças à decisão em última instância do Departamento de Justiça dos EUA, com base na Primeira Emenda. Na ocasião, o jornalista assegurou que preferia ir à prisão antes de revelar sua fonte.

A ex-secretária de Estado, Condoleezza Rice, depôs como testemunha no mesmo tribunal por onde também desfilaram agentes da CIA que fizeram suas declarações atrás de telas pretas para não revelar sua identidade.

*Com informações da agência EFE e do jornal The Washington Post. 

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