23/03/2026
Por Luis Nassif, no GGN
O famoso cano de óleo jorrando dólares do Jornal Nacional, embora infame, ao menos captou o espírito de uma época já envenenada pela Lava Jato. O PowerPoint da GloboNews, por sua vez, malhou a ferro frio — sem contexto, sem sutileza, sem cobertura.
Desde que o caso Master veio à tona, as Organizações Globo vêm tentando impor à opinião pública a narrativa de que se trata de um escândalo do governo Lula. Para isso, valeram-se de vazamentos da Polícia Federal em parceria com jornalistas lavajatistas. Se autorizados pelo delegado-geral Andrei Rodrigues, ele é cúmplice da operação. Se ocorreram sem seu conhecimento, ele é um delegado-geral decorativo.
A pressa e o amadorismo do infeliz autor do PowerPoint botou a estratégia a perder. E lembram a impulsividade de Donald Trump em relação ao Irã. Ele claramente acreditou que o poder do Grupo Globo seria invencível e que o material aceleraria a destruição do governo Lula — abrindo caminho para Flávio, sem sobrenome para reforçar a intimidade com a casa.
Visto de fora, parece obra de alguém sem a menor noção sobre os movimentos de opinião pública — e sobre como se maneja, com eficácia, a artilharia do jornalismo de grande grupo.
A enxurrada de menções indignadas contra o Powerpoint nas redes sociais é sintomática. Mas o que mais chama atenção não é a indignação em si — é a insensibilidade de quem não sabe manipular a opinião pública sem se trair.
Não se faz isso emulando o estilo Trump. É preciso sutileza. É preciso aparentar isenção de tal forma que o público tenha a sensação de que o foco no governo Lula decorre do curso natural das notícias — e não da manipulação deliberada do leito do rio. Manipula-se o fluxo de notícias.
Imagino o fantasma de Evandro Carlos de Andrade descendo do Olimpo dos grandes construtores do prestígio Globo, vociferando:
— Imbecil! Quem lhe disse que jornalismo de manipulação se pratica arrombando a porta? Nunca ouviu falar em pé de cabra? Em sangramento contínuo, sutil e mortal? Você comprometeu toda a estratégia que estava sendo montada para jogar o caso Master no colo do Lula.
— Para que colocar o Galípolo? Como explicaremos agora que Roberto Campos Neto ficou de fora — com o Nubank patrocinando o Jornal Nacional? Vão descobrir nossos cala-bocas. Olha a encrenca que você armou.
— Mas chefe, achei que não podia incluir Campos Neto…
O constrangimento seria total. E a bronca, implacável:
— E por que não incluiu Ibaneis, Castro, Wilson Lima, Clécio Luís? Você é a vergonha desta casa — mais vergonhoso que o editorialista do Estadão que publicou “ninguém vai chorar pelo Irã” no mesmo dia em que 120 meninas foram mortas. Ou o capista da Folha com a manchete chamando o trabalhador brasileiro de preguiçoso. Vocês são um bando de inúteis que só prejudicam o Flávio.


(*) do Conselho Fiscal da ABI