Ética e existencialismo por Antonioni


26/09/2008


O cartaz da quinta-feira, 25, no Cine ABI — “O passageiro: profissão repórter”, de Michelangelo Antonioni —, narra a aventura de Locke (Jack Nicholson), repórter da televisão britânica que vai fazer uma entrevista com um líder guerrilheiro africano. Após a entrevista, um traficante de armas com aparência física semelhante à do jornalista, morre no mesmo hotel em que este está hospedado.

Cansado da profissão e do casamento, em busca da liberdade, Locke resolve trocar de identidade e é envolvido nas comprometedoras relações políticas do morto, cuja atividade desconhecia. O jornalista desenvolve uma nova personalidade e entra num caminho sem saída: o contrabando de armas que sustenta a guerrilha na África.

Este é um dos mais emblemáticos filmes da carreira do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, que aqui discute temas como existencialismo, incomunicabilidade e ética no formato thriller road movie, com destaque especial para a fotografia e o célebre plano-seqüência de sete minutos na cena final. O diretor expõe ainda com firmeza a visão preconceituosa do Ocidente em relação ao continente africano.

Complexidade

Para o jornalista aposentado Alaôr Baptista, “O passageiro: profissão repórter” tem o ritmo de narrativa mais lento e sutil próprio do cinema italiano, que contrasta com os filmes norte-americanos exibidos anteriormente na mostra A Imprensa no Cinema:
— Ele expõe a complexidade do ser humano, mostrando a crise existencial e o desejo do jornalista de se libertar da própria vida e viver uma outra, num perfil muito bem desenhado por Antonioni. David Locke assume a identidade de um traficante de armas e, ao decidir viver a vida dele, encontra a morte.

Alaôr destaca ainda a atuação da atriz Maria Schneider e o mistério que envolve sua personagem.
— A jovem parece ter o mesmo sentimento de Locke em relação à vida, porém pouco é dito sobre ela no filme, a não ser que é estudante de Arquitetura. Fiquei interessado em saber mais sobre a personagem, e, tentando entendê-la, refleti sobre a natureza humana. Creio que esta era a intenção de Antonioni.

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