Escândalo dos grampos agita a Grã-Bretanha


12/07/2011


O escândalo dos grampos telefônicos que decretou o fechamento do tablóide News of the World está causando um grande barulho na Grã-Bretanha. Nesta terça-feira, 12 de julho, os jornais The Sun e The Sunday Times, que também pertencem ao grupo News International, de Rupert Murdoch, rebateram a informação de que teriam usado métodos ilegais para obter informações privadas do ex-Premiê Gordon Brown e relatórios médicos de seu filho.
 
 
Conforme publicou a BBC, as acusações ao Sun e ao The Sunday Times foram detonadas com a divulgação de documentos e gravações que sugeriam que os jornais tinham tido acesso a documentos privados de Brown e de seu filho Fraser.
 
 
O The Sunday Times negou que tenha usado de meios ilegais para publicar uma reportagem, em 2006, sobre a compra de um apartamento por Gordon Brown quando ele era Ministro das Finanças. O jornal se defende dizendo que agiu de acordo com o “interesse público”.
 
 
O porta-voz do The Sunday Times disse que o jornal tinha dados suficientes para investigar o assunto e que o veículo usou o código da Press Complaints, órgão independente criado para apurar reclamações da população contra a imprensa.
 
 
Segundo o representante do The Sunday Times, o jornal tinha informações de que Gordon Brown tinha adquirido o apartamento por um preço aquém da avaliação normal, o que ele conseguiu por meio de uma empresa cujo ex-diretor era um aliado seu chamado Geoffrey Robinson.  
 
 
Na segunda-feira, 12 de julho, Gordon Brown confirmou à BBC que o The Sunday Times teve acesso a documentos seus, financeiros e particulares. Ele classificou o fato como repugnante e disse que tinha ficado chocado “em saber que isso aconteceu por causa das ligações com criminosos conhecidos que estavam realizando atividades, contratados por investigadores que estavam trabalhando para o The Sunday Times”. O ex-Premiê pediu que fosse instaurada uma investigação sobre a suposta ligação dos veículos de Rupert Mudoch com criminosos.
 
 
O The Sunday Times se defende afirmando que as acusações do ex-Primeiro-Ministro são infundadas e que o jornal não agiu violando a lei nas suas apurações, nem tampouco usou criminosos na produção da matéria.
 
 
Laudo médico
 
 
O jornal The Sun também negou que tenha usado de métodos ilegais para realizar uma matéria, em 2006, que divulgava dados da saúde do filho do ex-Premiê britânico. “Podemos garantir a Brown e a sua família que não tivemos acesso aos registros médicos de seu filho nem pagamos alguém para fazê-lo”, disse um porta-voz do veículo à BBC.
 
 
Segundo o The Sun, a reportagem foi produzida com base em um depoimento de um cidadão que foi voluntariamente à redação falar sobre o caso de uma pessoa da família que teve a mesma doença e que achava importante divulgá-la. O porta-voz disse que a matéria foi escrita “de forma apropriada e com bom senso”.
 
 
Para apimentar ainda mais as repercussões sobre as escutas telefônicas ilegais, o Comissário-assistente da Polícia Metropolitana de Londres, John Yates, disse nesta terça-feira, durante um interrogatório no Parlamento, que desconfia que ele próprio pode ter tido o seu telefone grampeado.
 
 
Ele disse que não se pode negar o fato de que alguns policiais sejam corruptos. Mas negou que tenha recebido qualquer tipo de pagamento ilegal de jornais em troca de informações sigilosas. O policial está sendo criticado porque, em 2009, afirmou que não havia provas suficientes para promover a reabertura do caso dos grampos telefônicos do News of the World, aberto originalmente em 2006.
 
 
As suspeitas de grampo de autoridades policiais ganharam maior repercussão, segundo a Folha de S.Paulo, depois que, no início da semana, o jornal The New York Times publicou uma matéria mostrando que cinco policiais britânicos tiveram seus telefones grampeados logo depois que a polícia iniciou as investigações sobre as escutas ilegais do tablóide britânico News of the World.