Equipe de reportagem do UOL é agredida em Brasília


08/09/2016


Foto: UOL

Foto: UOL

O portal UOL publicou que dois integrantes de sua equipe de reportagem foram agredidos por manifestantes anti-Temer durante a cobertura de protestos, em Brasília, nesta quarta-feira (7). O repórter Leandro Prazeres e o cinegrafista Kleyton Amorim entrevistavam uma mulher de um grupo que se manifestava em favor de intervenção militar no Brasil quando foram abordados por outro grupo de manifestantes, que protestavam contra o presidente Michel Temer.

Segundo a reportagem, o grupo pró-intervenção estava sendo hostilizado pelos ativistas contrários a Temer, que tentaram, então, impedir a entrevista.

Um manifestante empurrou o repórter. Também foram arremessadas garrafas de água mineral contra Prazeres, sendo que uma delas atingiu seu rosto.

uolO cinegrafista Kleyton Amorim foi agredido com chutes por um rapaz que aparentava ser menor de idade. O jovem também tentou arrancar a câmera de Amorim, sem sucesso. O vídeo que abre esta reportagem tem sua gravação interrompida no momento em que o jovem tentava tirar a câmera do cinegrafista.

Segundo Amorim, ele foi agredido neste momento, com chutes na perna, enquanto outros manifestantes cercavam os dois jornalistas. “Era uma meia dúzia”, disse, lembrando que alguns manifestantes também tentavam demover os que tinham partido para agressão. O cinegrafista machucou o punho ao tentar evitar que sua câmera fosse retirada por um agressor.

A matéria acrescenta que o clima entre os dois grupos (os intervencionistas e os anti-Temer) já havia esquentado no momento em que eles se encontraram. Uma mulher do grupo que pedia intervenção chegou a levar um tapa no rosto dado por um homem do grupo que protestava contra Temer. O homem foi repreendido por colegas, entre os quais, um que disse: “Para com isso! Não se bate em mulher, jamais!”. Os ânimos se exaltaram ainda mais no momento em que a equipe do UOL foi abordar integrantes do grupo pró-intervenção para fazer entrevistas.

Logo depois das agressões ao cinegrafista do UOL, um grupo de policiais militares –cerca de dez homens– chegou e evitou que o confronto entre os dois grupos continuasse. Dois dos manifestantes foram levados pela PM.

Os dois foram conduzidos à 5ª Delegacia de Polícia de Brasília para esclarecimento dos fatos. O suspeito de ter atirado uma garrafa de água no rosto do jornalista foi identificado como Francisco Assis Batistas, 49, produtor rural. O outro agressor, menor de idade, era seu sobrinho.

Na delegacia, Assis negou a agressão. “Eu chamei o pessoal [jornalistas do UOL] de golpista porque estavam entrevistando uma mulher que estava provocando nós do movimento [anti-Temer] com uma faixa de volta da ditadura militar. Deus me livre, né. Eu não aguentei”, diz.

Os jornalistas do UOL ficaram com hematomas provocados pelas agressões, mas passam bem. A ocorrência policial foi registrada na 5ª Delegacia de Polícia de Brasília. Os dois jornalistas fizeram exames de corpo de delito.

O sobrinho de Assis também acusou a equipe do UOL de tê-lo agredido e registrou boletim de ocorrência também na 5ª DP. Questionado sobre como justificava o corte no rosto do repórter, Assis afirmou não poder precisar o que aconteceu no momento da confusão. “Ele [Prazeres] entrou na multidão pra bater na criança aqui”, diz, apontando para o sobrinho de 14 anos.

Num primeiro momento, o sobrinho de Assis apontou Prazeres como autor da agressão. Depois, ainda na delegacia, em depoimento à escrivã, o jovem mudou sua versão e afirmou que o autor da suposta agressão seria o cinegrafista.

Assis é atendido pelo Grupo de Juristas pela Democracia, mas nenhum dos advogados quis falar com a reportagem do UOL sobre o ocorrido. Ele afirmou que não é filiado a partidos políticos ou grupos e disse ser apenas simpatizante da manifestação contra Temer.

Para Ricardo Pedreira, diretor-executivo da ANJ (Associação Brasileira de Jornais), toda forma de violência é lamentável e condenável. “Há um crescimento perigoso dos registros recentes de agressão contra profissionais de imprensa na cobertura de manifestações pelo país.”

O Universo Online divulgou uma nota de repúdio ao que classificou de ato covarde aos seus profissionais.

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