Encontro aponta alternativas no mercado editorial


Por Claudia Sanches

01/09/2016


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Tânia Coelho, Domingos Meirelles e Altamir Tojal

O painel “Jornalistas-escritores─da auto-publicação aos negócios literários”, do 14º encontro do Reinventar Jornalistas/RJ, realizado na quarta-feira (31), no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, atraiu dezenas de jornalistas que buscam uma oportunidade no mercado editorial. Mediados pelo jornalista Altamir Tojal, os palestrantes contaram como os jornalistas podem aproveitar suas habilidades e empreender no setor.

Estiveram presentes na mesa de debates o Presidente da ABI Domingos Meirelles, e as jornalistas-escritoras Tânia Carvalho, Beatriz Coelho, Luciana Castro e Luize Valente. Durante abertura do evento Meirelles parabenizou a iniciativa do grupo Jornalistas/RJ, que mobiliza a categoria nesse momento de transformações da indústria da comunicação: “A ABI agradece a atuação desse grupo. É um dos projetos mais geniais que já vi nesses últimos 20 anos. Representa a possibilidade de discutir possibilidades profissionais”.

A jornalista Beatriz Coelho abriu o encontro contando como saiu do jornal O Estado de S.Paulo e se tornou escritora de livros de história: “Quando vi tinha me especializado no tema sem ser uma historiadora. O repórter tem uma vantagem sobre o acadêmico: o poder de síntese”, observou Beatriz, que chamou atenção para o fato de o empreendedor ter que divulgar o seu trabalho em outras plataformas. “Quer vender seu livro, coloque ele embaixo do braço e vá bater na porta das editoras. Use e abuse das redes sociais, avalie a possibilidade de crowdfunding, mostre-se. Já lancei ´projetos por capítulos, na internet.”

Já Luciana Castro, que teve uma trajetória focada no jornalismo esportivo, pediu rescisão na empresa em que trabalhava para investir num sonho antigo – tornar-se escritora. A ex-repórter enviou seus trabalhos para algumas editoras, e conseguiu publicar seu primeiro livro que foi um sucesso de vendas, Permita-se. A partir de um programa de capacitação, descobriu que poderia aproveitar a atividade jornalística na literatura e escreveu Um mar de estrelas, baseado em depoimentos que colheu com pessoas que trilhavam o caminho de Santiago de Compostela. “Eram cenários reais contados através de um personagem fictício”, conta a jornalista, que está lançando sua primeira obra de suspense, Sem olhos.
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Luise Valente, Luciana Castro, Beatriz Coelho, Tânia Carvalho, Domingos Meirelles e Altamir Tojal

Outro destaque foi a roteirista de televisão Luise Valente, que escreve romances baseado em fatos reais. Ela lembrou que há muitas opções além do emprego formal, e muitas oportunidades nesse seguimento. Foi a partir dos documentários para a TV que surgiu a ideia de escrever O segredo do Oratório. O livro, que já está na quarta edição pela editora Record, fala sobre fatos que a história oficial não conta. Luise  ainda ressaltou que “a literatura é um negócio” e que empresas do ramo estão atrás de boas histórias e os jornalistas têm uma vantagem sobre os demais profissionais: “Além de escrever bem, nós temos uma abordagem diferenciada dos acontecimentos”.

Para Tânia Carvalho o empreendimento no mercado editorial não foi difícil já que ela nunca se limitou ao emprego formal. “Sempre tive um plano B. Nós jornalistas, somos múltiplos e precisamos usar todas as nossas habilidades e competências”, revelou Tânia, que escreveu muitas biografias, já que sua experiência como escritora é voltada para obras de não-ficção. Quem quer empreender nesse setor tem que entender que qualquer história é boa. Basta que você ouça. Ouvir é fundamental, seja lá quem for seu biografado. E acreditem. Ninguém escreve melhor e mais rápido que nós”.  Ela também destacou a importância de uma boa rede de relacionamentos.

Domingos Meirelles, que estreou na literatura com a obra As Noites das Grandes Fogueiras – Uma História da Coluna Prestes, contou como usou a experiência de repórter para contar uma história de longo curso. O livro surgiu de uma grande reportagem sobre a Coluna Prestes. Ele usa de artifícios, que chama de truques, para que o leitor “não abandone a leitura”. “Escrever é, antes de tudo, uma arma de sedução. Eu, por exemplo, reconstruí com detalhes uma festa num capítulo que foi narrada com detalhes por um cônsul que vivenciou a época. Estudei muito a particularidade de cada personagem e então eles passaram a ter vida. Escrevi o livro em capítulos de modo que prenda a atenção de quem lê, a resposta fica para as próximas “cenas”. A coluna Prestes é uma história muito comovente e eu tentei transmitir isso ao leitor”.

Para Domingos Meirelles o mercado editorial é uma grande alternativa de trabalho para o profissional de imprensa. A diferença entre o escritor e o repórter é o olhar, na opinião do jornalista. “Ele faz uma leitura diferente da maioria das pessoas do fato. É um felling, um faro. Mas é uma atividade que exige determinação, paixão e renúncias”, concluiu.

 

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