28/07/2026
O Brasil viveu sob uma ditadura militar entre 1964 e 1985. A ruptura institucional perseguiu oponentes, prendeu, torturou e matou muita gente que mantinha pensamento crítico e discordava do autoritarismo. Apesar das prisões, perseguições e processos judiciais, muitos decidiram manter-se atuantes no território nacional, trabalhando em jornais que insistiam em fazer oposição.
Para contar a história de um desses personagens, o livro “Em Confidência: As memórias de um jornalista de coragem”, de Paulo Branco Filho, será lançado no dia 31 de julho, a partir de 17h, na Casa de Mysterios (Rua Pedro Ernesto 21,Gamboa). O livro também pode ser adquirido pela Amazon: https://amazn.to/49PUI46
O autor faz uma viagem no tempo para narrar a trajetória do jornalista Paulo Cezar Branco. Nascido em 1948, em Vassouras, interior do Rio de Janeiro, Branco enfrentou a repressão de frente: foi preso em 1968 por distribuir panfletos críticos ao regime, respondeu a inúmeros processos enquanto trabalhava no jornal Tribuna da Imprensa – um dos poucos que ousavam desafiar o regime e, por isso, sofreu censura prévia até o restabelecimento da democracia.
Após a ditadura, Paulo Branco seguiu praticando um jornalismo combativo, acumulando ações judiciais por suas denúncias. No cenário internacional, destacou-se como defensor da soberania dos países árabes, sobretudo da Palestina, chegando a se encontrar com Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Para além do contexto político e profissional, o livro, de autoria do filho do jornalista, representa o reencontro póstumo entre pai e filho, trazendo uma visão política de ambos, interseccionada com histórias pessoais e de outros personagens do jornalismo e da política brasileira e mundial. O professor de artes marciais Paulo Branco Filho conta o que o levou a realizar a pesquisa que redundou no livro.
“Os filhos, naturalmente, se comparam aos pais e isso é um fardo e tanto. Felizes são aqueles que driblam essa questão e vão fazer outra coisa ou a mesma, mas de maneira distinta. Foi o que tentei fazer. De início, fui literalmente lutar. Lutar contra a sombra e a favor de trilha própria que, no meu caso, se iniciou nos ringues. Essa escolha, não há como negar, foi uma oposição brutal.”
A perda precoce do pai alimentou o sonho de trazer a memória para o tempo presente. “Devia ser proibida a morte de uma figura com tanto para contar e ensinar. Mas, diante do impossível, restou-me apenas o tempo de amadurecimento e o entendimento para conviver melhor com a dor.”.
Prossegue o autor. “Esse tempo nos afinou. As oposições foram se diluindo, tornando-se apenas insumos para que eu o entendesse e fosse me descobrindo, sendo quem sou. Com o tempo, harmonizei as lembranças, os exemplos e o gosto pela leitura, escrita e a política. Enfim, em muitos lugares descobri que, da minha maneira, tenho muito dele em mim.”
A tabelinha entre os dois Paulos, o pai e o filho, ficou na imaginação e no amor reciproco. O livro é resultado deste afeto. Ao contrário das lutas, não existem vencedor e derrotado, mas somente vencedores.