Diário do Comércio de São Paulo anuncia encerramento da versão impressa


Por Igor Waltz*

03/11/2014


O Diário do Comércio de São Paulo, tradicional publicação paulistana, fundada em 1924, deixou de circular sua versão impressa nesta sexta-feira, 31 de outubro. Sem edição de despedida, o veículo mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) passa a ser publicado apenas em versão digital. A decisão surpreendeu a equipe de profissionais e a maior parte do quadro de jornalistas foi demitida.

De acordo com a ACSP, apenas a equipe de colunistas não sofrerá reestruturação. O foco do noticiário também sofrerá alterações, passando a se basear “no empreendedorismo e em temas de interesse do micro, pequeno e médio empreendedor”, segundo nota divulgada pela associação, assinada pelo presidente Rogério Amato.

No comunicado, enviado aos funcionários, diretores, conselheiros, associados, clientes, anunciantes e fornecedores da ACSP, “continuidade da versão impressa do Diário do Comércio estava ameaçada por anos de operação com resultados negativos, o que determinou a atual decisão”.

De acordo com Moises Rabinovici, diretor de redação do DC e um dos profissionais desligados no “passaralho”, o déficit insustentável apresentado pelo presidente da ACSP embutia “o gasto milionário com processos trabalhistas iniciados em 2013, quando foi demitida a metade dos informais da redação, e a outra metade, contratada pela CLT”.

Segundo ele, a banca de advogados que assessorou a ACSP cobrava altos honorários, mesmo quando só consultada por telefone. A conta era debitada no jornal e, se todos os informais fossem celetizados na época, os gastos seriam baixos e a ‘sangria’ na redação poderia ser estancada. “Perdemos muitos talentos, cortamos cadernos semanais de Cultura, Informática, Turismo e Esporte, reduzimos as páginas do jornal e amargamos frustração, baixo astral e o dobro do trabalho”, acrescenta.

O jornalista menciona também a perda de anunciantes como Bradesco, que apostava no jornal há 80 anos, e o Grupo Votorantim. “A redação encaixotava, limpava gavetas, sentíamos todos como se estivéssemos sendo expulsos. O DC foi o último reduto para alguns jornalistas”, pondera.

*Com informações do Portal Imprensa, Portal Comunique-se e G1.

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