Corpo de Dom Waldyr Calheiros é enterrado em Volta Redonda (RJ)


Por Igor Waltz*

02/12/2013


Trajetória de Dom Waldyr Calheiros foi marcada pelo luta em prol dos direitos humanos (Crédito: Reprodução)

Trajetória de Dom Waldyr Calheiros foi marcada pelo luta em prol dos direitos humanos (Crédito: Reprodução)

Foi enterrado na tarde desta segunda-feira, 2 de dezembro, o corpo do bispo emérito da Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, dom Waldyr Calheiros Novaes, de 90 anos. O religioso, que ganhou notoriedade por sua luta na defesa dos direitos humanos, morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos no último sábado, 30 de novembro. O sepultamento aconteceu na Igreja Santa Cecília, no bairro da Vila Santa Cecília, Volta Redonda.

O velório de dom Waldyr foi realizado durante o fim de semana na Igreja Nossa Senhora da Conceição, no bairro do Conforto, por onde passaram centenas de fiéis e admiradores. No local, foi celebrada uma missa de corpo presente pelo atual bispo da diocese, Dom Francisco Biasin. Em seguida, uma procissão acompanhou o corpo até o local do sepultamento.

Dom Waldyr estava internado com infecção pulmonar na UTI de um hospital particular de Volta Redonda há cerca de duas semanas. O bispo emérito era alagoano de Murici, onde nasceu em 29 de julho de 1923. Tornou-se padre em 1948 e foi empossado em 1966 como bispo da diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, posto que ocupou até 2000, quando completou 75 anos. Mesmo aposentado, ele prometeu seguir na luta em favor dos pobres.

A vida de Dom Waldyr foi de constante envolvimento com as causas sociais, participação que começou durante o período da ditadura, em especial na defesa do trabalhador. Nos 34 anos à frente da diocese, participou de atos públicos contra a violência e condenou a impunidade e a tortura. Teve importante atuação nas negociações para o fim da histórica greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1988, quando três operários foram assassinados pelo Exército. A luta por justiça e igualdade lhe rendeu homenagens de grupos ligados à defesa dos direitos humanos.

À frente da Diocese Barra do Piraí – Volta Redonda, Dom Waldyr ganhou o apelido de “bispo de sangue” em virtude das lutas, por meio da Igreja, pelos menos favorecidos. Ficou conhecido também por ter feito, por conta própria, mesmo sem autorização de seus superiores, uma “reforma agrária”, distribuindo terras da Igreja Católica para famílias pobres da cidade de Pinheiral, também no Sul do estado.

A prefeitura de Volta Redonda decretou luto oficial de três dias. “Perdemos um grande homem. Uma figura de extrema importância para o nosso povo e para o nosso país, na luta a favor dos mais fracos. Dom Waldyr vai ficar para sempre em nossa memória”, disse o prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota lamentando a morte do bispo. “‘Felizes os mortos, os que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, que eles descansem de suas fadigas, pois suas obras os acompanham’ (Ap 14,13). Neste momento de dor, a CNBB manifesta solidariedade à família de Dom Waldyr Calheiros Novaes, à diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda e ao bispo diocesano, Dom Francisco Biasin”, diz a nota.

A CNBB destaca em outro ponto do texto: “Em oração, agradecemos o dom da vida e ministério deste nosso irmão que tanto se dedicou à Igreja no Brasil, reafirmamos nossa fé na Ressurreição e a certeza de que ele descansa de suas fadigas, na paz eterna do Senhor, pois suas obras o acompanham”.

*Com informações do G1 e do jornal O Dia.