David Carr, colunista do jornal The New York Times, morre aos 58 anos


Por Igor Waltz*

12/02/2015


David Carr durante painel que moderou horas antes de morrer (Foto: Mark Sagliocco/AFP)

David Carr durante painel que moderou horas antes de morrer (Foto: Mark Sagliocco/AFP)

O colunista do jornal The New York Times (NYT) David Carr morreu nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, aos 58 anos, informou o jornal americano sem explicar as causas da morte. O jornalista, que teve um mal-estar súbito na redação do jornal, chegou a ser socorrido e levado ao Hospital St. Luke’s-Roosevelt, em Nova York, mas não resistiu.

Carr era famoso por sua coluna “Media Equation”, na qual escrevia sobre os “meios de comunicação e sua intersecção com os negócios, a cultura e o governo”, descreveu a publicação. O colunista lutou durante boa parte de sua vida contra a dependência de cocaína e álcool, vícios que superou e serviram de inspiração para o livro autobiográfico ‘A Noite da Arma’ , publicado no Brasil em 2012 pela editora Record.

Carr foi contratado pelo jornal nova-iorquino em 2002 como repórter de economia após colaborar com revistas como The Atlantic Monthly e New York Magazine. Sua prestigiada coluna era publicada todas as segundas-feiras no caderno de economia do periódico. Antes de se mudar para Nova York, Carr foi editor durante cinco anos do Washington City Paper, uma conhecida publicação de lazer e cultura da capital.

Carr começou na carreira jornalística em seu estado natal, Minnesota, onde já escrevia uma coluna sobre os meios de comunicação, uma paixão que também o levou a ser um reconhecido comentarista nas principais emissoras de televisão dos Estados Unidos. No documentário sobre o NYT, “Page One: Inside the New York Times”, de 2011, Carr se sobressai como um dos protagonistas e aparece em uma das cenas defendendo apaixonadamente o trabalho de seus colegas de redação, considerados “velhos e ultrapassados” por jornalistas das novas mídias.

Dean Baquet, editor executivo do New York Times, disse, em nota da redação, que Carr foi “o melhor repórter de mídia de sua geração, um homem notável e engraçado, que foi um dos líderes da nossa redação. Ele foi o nosso maior campeão. Sua família no NYT, seus leitores ao redor do mundo e pessoas que amam o jornalismo sentirão falta de sua paixão sem fim pelo jornalismo e pela verdade”.

Painel que discutiu filme sobre Edward Snowden (Foto: Mark Sagliocco//AFP)

Painel que discutiu filme sobre Edward Snowden (Foto: Mark Sagliocco//AFP)

Ainda na quinta-feira, poucas horas antes de sua morte, Carr moderou uma discussão sobre os vazamentos da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, na sigla em inglês) com Edward Snowden e os jornalistas Glenn Greenwald e Laura Poitras, diretora do documentário “Citizenfour”.

Estava bem-humorado e brincou com o jornalista Glenn Greenwald, dizendo que não o parabenizaria pelo prêmio Pulitzer, vencido em 2014. “Glenn, eu poderia lhe parabenizar pelo Pulitzer, mas como eu sou um colega jornalista estou com um pouco de inveja”, disse no evento.

O colunista vivia em Nova Jersey com a mulher Jill Rooney e sua filha Maddie. Ele também tem outras duas filhas gêmeas, Erin e Meagan. Em 2014, Carr esteve no Brasil para participar da Flip (Festa Literária de Paraty).

*Com informações da Veja, da agência EFE e Folha de S. Paulo.

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