Clássico de Costa-Gravas é exibido na ABI


29/05/2009


O destaque da sessão do Cine ABI na noite desta quinta-feira, dia 28 de maio, foi o filme “Estado de sítio” (1973), um clássico do diretor grego (naturalizado francês) Costa-Gravas, que se destacou no ambiente cinematográfico pela denúncia política praticada em sua obra.

O filme de Costa-Gravas evidencia a atuação do Governo norte-americano na implantação das ditaduras militares na América Latina, nas décadas de 60 e 70. A trama, cujo roteiro é de Franco Solinas, enfatiza o seqüestro do Cônsul brasileiro e do agente americano Philip Machael Santore (Yves Montand), praticado pelo grupo guerrilheiro uruguaio Tupamaros.

Santore, que também ficou conhecido como Dan Mitrione, foi responsável pelo ensinamento de práticas de tortura a diversos policiais e militares de países da América Latina, que institucionalizaram o delito durante seus regimes ditatoriais.

Ao final da sessão, o jornalista Miro Lopes destacou a luz que Costa-Gravas lançou sobre as práticas de interrogatório utilizadas tanto pela direita quanto pela esquerda:
— O que me chamou a atenção é que o filme é um alerta de Costa-Gravas sobre as formas de tortura, de interrogatório e ações, tanto dos revolucionários (os Tupamaros) quanto dos agentes ditatoriais dos regimes militares, seja no Uruguai, Grécia, Itália, Brasil e Portugal. A fita serve inclusive como um alerta para a origem do “Esquadrão da Morte”, que por sua vez inspirou o que hoje se denomina milícias, que se não agem politicamente, certamente também atuam criminosamente contra a sociedade indefesa. 

Material histórico

Miro Lopes, que também é Conselheiro da ABI, classificou o filme como um “material histórico para a cinematografia e para as novas gerações”. Segundo ele, “Estado de sítio” é uma excelente reportagem sobre um momento dramático da política internacional, muito especialmente, do Brasil:
— Constantin Costa-Gravas, nascido na Grécia, o berço da democracia, mas que também sofreu as agruras de uma ditadura, teve a inspiração do filme quando esteve num festival de cinema em Recife. Ele atuou em cima dos fatos, pois o filme foi lançado oito anos depois do golpe militar no Brasil.

O jornalista também enalteceu a parceria entre Costa-Gravas e Yves Montand:
— Ives Montand, o grande ator, militante da esquerda, forma com o cineasta a dupla perfeita para essa magnífica e reveladora produção cinematográfica. 

Hoje

Miro aplaudiu a iniciativa da ABI e da Casa da América Latina por exibir filmes que ressaltam a realidade política e social do continente:
— É necessário que essa idéia de projeções de filmes na ABI seja alimentada por uma freqüência cada vez maior, especialmente das novas gerações, para entenderem melhor a história recente do País, quando este for o fato, e compreender a política e a sociedade de hoje. Até porque, o pior da história se repete quando não se está alerta.

Segundo Mario Augusto Jakobskind, membro do Conselho Deliberativo e da Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Expressão da ABI, Pepe Mujica, um dos participantes dos Tupamaros, envolvido no seqüestro de Santore, pode se tornar o próximo Presidente do Uruguai:
— Hoje, ele é cotado para ser o candidato da Frente Ampla para a Presidência do Uruguai nas próximas eleições de novembro. O mundo dá voltas.

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