Cine ABI inaugura sessão de cinema com debates


Por Claudia Sanches

01/11/2015


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O Cine ABI, em parceria com a Sobepi – Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas da Infância apresentará, no dia 1º de Dezembro, terça-feira, o filme “A Caça”, do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg. A sessão gratuita terá início às 17h30, na Sala Belisário de Souza, no 7º andar da sede da ABI, localizado na Rua Araúlo Porto Alegre, 71, Centro do Rio.

A iniciativa da programação é do Presidente da ABI Domingos Meirelles e de Jesus Chediak Diretor de Cultura e Lazer da entidade.

A sessão inaugura a série “Um Olhar Psicanalítico sobre o cinema “, que será realizada semanalmente na ABI. Após a exibição do filme haverá um debate com a participação do público e de profissionais da Sociedade de psicanálise. Com 22 anos de experiência, a Sobepi é uma instituição que procura articular a psicanálise nas práticas sócio-institucionais que envolvem a infância e a adolescência brasileira.

Entre os objetivos da parceria está a promoção de uma reflexão sobre a concepção de infância e adolescência através da psicanálise e do cinema.

O exibição será seguida de debate com as presenças de Domingos Meirelles, Jornalista e Presidente da ABI, e das psicanalistas e diretoras da Sobepi Lourdes Lira Rosana Yentas.

“A Caça” é, segundo o crítico de cinema André Lux, um filme que todos deveriam ser obrigados a assistir, principalmente advogados e jornalistas.

Segundo a psicanalista Lourdes Lira, o filme levanta algumas questões sobre a sociedade e a busca da verdade. A ideia do projeto é, mais do que buscar repostas, levantar questões. “Um link interessante entre a psicanálise e o jornalismo é que ambos procuram a verdade. Sendo que a verdade em psicanálise guarda algumas especificidades, não excluímos a verdade material mas olhamos o que está por trás”, explica a psicanalista.

Para ilustrar o tema, Lourdes recorda o caso clássico da Escola Base, em São Paulo, em que o caso a falsa denúncia de abuso sexual na instituição escolar causou danos irreversíveis aos donos da escola. “Se por um lado, o acesso aos meios de comunicação e à notícia é muito mais democrático, isso implica em que tenhamos muito mais reponsabilidades”.

“A Caça”, um tratado sobre a importância da presunção da inocência e com certeza vai chocar aqueles que acham que jamais serão acusados de qualquer crime, por serem “homens de bem”, iguais ao Lucas do filme. E será que é possível recuperar uma vida destruída por uma falsa acusação? Assista ao filme, participe do debate e saiba a resposta…

 Filme fala sobre a cruel eficácia das punições sociais

Em seu novo filme, Vinterberg aborda um tema que é, mais do que nunca, um dos pilares de qualquer Estado Democrático de Direito: a presunção da inocência, que dita a máxima “todos são inocentes até que seja provado o contrário”. E o diretor coloca o dedo na ferida de forma contundente ao mostrar o que acontece com a vida de uma pessoa quando esse princípio básico é desrespeitado.

A trama é protagonizada por Lucas, um ex-professor que, depois de ser demitido da universidade onde lecionava e largado pela esposa, só consegue emprego em uma pequena escola infantil, onde é muito querido pelas crianças. Uma delas é filha de seu melhor amigo e, por sofrer de carência afetiva por parte dos pais, fica cada vez mais encantada com a figura do carinhoso professor, ao ponto de “se apaixonar” por ele (algo muito comum entre as crianças pequenas). Mas quando ela declara seu amor, Lucas não reage da maneira adequada e acaba despertando a raiva da menina, que se sente rejeitada.

Vingativa, ela inventa para a diretora da escola que foi abusada sexualmente pelo professor (usando termos chulos que ouviu o irmão mais velho dizer a um amigo enquanto viam pornografia na internet). Daí para frente “A Caça” se transforma em uma tragédia, na qual o protagonista é imediatamente tratado como culpado e passa a ser hostilizado pela comunidade, inclusive por seus amigos, sem ter qualquer chance de provar sua inocência.


Programação do Cine ABI

 1935, O Assalto ao Poder – Brasil

Direção: Eduardo Escorel

26/11 às 18 horas

No fim do ano de 1935 três levantes militares tentaram derrubar o governo de Getúlio Vargas. Liderada por membros do Partido Comunista do Brasil, a insurreição deflagrada em Natal, Recife e no Rio de Janeiro, foi um fracasso. Em poucos dias o movimento foi inteiramente dominado. O governo de Getúlio foi implacável com os insurretos. Vários deles foram brutalmente torturados e até quem era mero simpatizante do Partido Comunista acabou preso. O documentário conta com depoimentos de vários participantes do levante e intervenções dos historiadores Paulo Sérgio Pinheiro, Boris Fausto, José Murilo de Carvalho, Marly Vianna, Paulo Cavalcanti e Homero Ferreira, além do escritor Fernando Morais e do jornalista William Waak. O processo tem como protagonistas, além de Getúlio Vargas, Luiz Carlos Prestes, Octávio Brandão, Olga Benário, Gregório Bezerra e Giocondo Dias.

A Caça

Direção: Thomas Vinterberg

01/12 às 18 horas

Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, é perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

Flores Raras – Brasil

Direção: Bruno Barreto

10/12 às 18 horas

A história de amor entre Elisabeth Bishop (poeta americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956) e Lota de Macedo Soares (“arquiteta” carioca que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo). Ambientado no Brasil dos anos 50 e 60, quando a Bossa Nova explodia e Brasília era construída e inaugurada, o longa acompanha a história dessas duas grandes mulheres e suas trajetórias inversas.

 

*Postado em 25 de novembro.

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