Cine ABI inaugura foto histórica


09/09/2010


A ABI vai inaugurar na próxima quinta-feira, dia 16 de setembro, um documento histórico que mostra a antiga ligação da Casa com a cultura cinematográfica no Rio de Janeiro: a cópia ampliada da fotografia da platéia da sessão realizada em seu Auditório Oscar Guanabarino em 13 de maio de 1958 pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna, que exibiu então o filme O Ferroviário, do diretor italiano Pietro Germi, um dos mestres do neo-realismo.
 
Pertencente ao acervo do jornalista Dejean Magno Pellegrin e feita por Robert Léon Chauvière, a fotografia apresenta uma singularidade: na platéia se encontram alguns jovens cinéfilos que anos depois criariam o Cinema Novo do Brasil, entre os quais Cacá Diegues, Walter Lima Júnior, Leon Hirszman, David Neves e Marcos Farias.
 
Um dos presentes à sessão, o cineasta Walter Lima Júnior lembra que na época havia no Centro do Rio muitos cineclubes, mas o da ABI era o point, o preferido dos cinéfilos, como ele contou nesta entrevista a Gabriel Fontes, estagiário da Diretoria de Jornalismo da ABI:
 
CineABI: Quais aspectos o Sr. se recorda dessa sessão? Ela teve algo de especial?
 
WLJr.: “Essa sessão em particular não teve nada de especial, a não ser um camarada que subiu no palco e tirou essa foto. As sessões no auditório da ABI viviam lotadas, era sempre assim, todo mundo que fazia cinema, ou queria fazer andava por lá. E a sessão não terminava quando o filme acabava, sempre depois todo mundo se reunia em algum bar ali por perto para tomar um chop e conversar. Se a sessão acabava umas 8 a gente ficava por lá pelo menos até meia-noite. Se os bares fechavam a gente passava para os bancos da praça. As pessoas eram sempre as mesmas.”
 
CineABI:  Mas mesmo sendo uma sessão de pré-estréia, ela não teve nada de extraordinário? Porque ali estavam reunidas muitas pessoas que posteriormente realizariam muito pelo cinema nacional, como o Sr. e o Cacá Diegues, por exemplo.”
 
WLJr.: “Não, naquele dia ninguém foi ali porque era O Ferroviário ou porque era um filme de Pietro Germi. Justamente o que me chamou a atenção nesse dia foi um camarada que subiu no palco e tirou essa foto (o fotógrafo era Robert Léon Chauviére). Mas eu ia sempre nas sessões na ABI, que tinha um auditório muito grande, muito bonito. Na verdade existiam muitos cineclubes por aquela área, mas o da ABI era o point. E eu ia sempre lá. Me lembro que uma vez eles passaram um ciclo de filmes do John Houston, no qual eu assisti a muitos filmes dele que eu não tinha visto. Dentre eles estava “O Falcão Maltês”, que eu não tinha visto até então.”
 
CineABI: E qual foi a importância disso para o início da Cinemateca do MAM?
 
WLJr.: “ Na verdade a Cinemateca não existia direito naquela época. Ainda não tinha um prédio como tem hoje no Museu. A Cinemateca funcionava numa estrutura montada nos pilotis do prédio do antigo Ministério da Educação. Era lá que ficavam os escritórios improvisados do pessoal de lá. Era mais como um cineclube, que aliás foram importantíssimos para a nossa formação naquela época.”
 
CineABI: O Sr. poderia falar um pouco da importância dos cineclubes daquela época?
 
WLJr.: “Bom, naquela época não existiam faculdades de cinema. Então todos os que faziam cinema ou queriam fazer só tinham os cineclubes para ir. Nosso estudo era assistir a filmes nessas sessões, que não se resumiam somente ao filme, porque, como eu já te disse, elas se prolongavam por toda a noite. E era nessas reuniões que nasciam laços entre quem trabalhava nisso. Para você ter uma idéia, eu só fui conhecer o pessoal de Niterói (cidade em que Walter morava na época) aqui no Rio de Janeiro, nessas sessões. Depois inclusive fundamos juntos um cineclube lá em Niterói. E nessa época existia um hábito muito comum, de se julgar a pessoa pelo gosto dela. Então as afinidades eram alimentadas pelo gosto cinematográfico.”
 

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