Assassino de Décio Sá vai voltar para presídio federal em Campo Grande


Por Igor Waltz*

06/02/2014


Após ser condenado a 25 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do jornalista Décio Sá, o pistoleiro Jhonathan de Sousa Silva, de 26 anos, será transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande, MS, na tarde desta quinta-feira, 6 de janeiro, onde vai começar a cumprir a pena. Segundo a assessoria do 1ª Vara do Tribunal do Júri de São Luís, ele pode ficar no local por até três anos e, ao final do prazo, será transferido para outra penitenciária, cujo local ainda não definido.

De acordo com a sentença, lida pelo juiz Osmar Gomes, Jhonathan, que é réu confesso, foi encaminhado para o presídio de segurança máxima devido ao seu grau de periculosidade. A assessoria do fórum explicou que o assassino do jornalista não pegou a pena máxima, que poderia chegar a 30 anos de prisão, porque é considerado réu primário, já que esta é a primeira condenação dele.

Jhonathan ainda vai responder a processo pelo assassinato do empresário Fábio Brasil, o Júnior Foca. A publicação do texto “Morte de Fábio Brasil ainda vai dar muito o que falar” teria sido um dos motivos que levaram a quadrilha a executar Décio Sá.

Marcos Bruno Silva de Oliveira, que pilotou a moto usada na fuga do executor, foi condenado a 18 anos e três meses de prisão.

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, definiu como ‘primoso’ o trabalho da Justiça e afirmou que a investigação continua. “A avaliação é extremamente positiva. Não só eu, mas a sociedade maranhense está gratificada com esse primoroso trabalho da polícia do Maranhão. Essa comissão de policiais, delegados, investigadores e peritos mostrou a qualidade da nossa policia em resolver esse caso” declarou.

Caso

O jornalista Décio Sá, de 42 anos, foi morto a tiros dentro de um restaurante na Avenida Litorânea, em São Luís, em abril de 2012. Ele era repórter de política do jornal O Estado do Maranhão e mantinha um blog sobre crimes e cotidiano.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), um homem desceu da garupa de uma moto, entrou no restaurante e foi ao banheiro. Quando voltou disparou seis tiros, pelas costas, contra Sá e fugiu com o motociclista que o esperava. O assassino sequer escondeu o rosto.

Funcionários do restaurante ligaram para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para socorrer o jornalista, mas ele já estava morto. De acordo com a SSP, a perícia constatou que quatro tiros atingiram a cabeça e dois a região do tórax do jornalista.

Segundo as investigações, um dos crimes divulgados por Sá foi cometido pelo grupo de agiotas preso no dia 13 de janeiro. Na versão policial, as matérias do jornalista estavam atrapalhando os negócios da quadrilha.

Regis Marques, amigo do jornalista, disse que Décio Sá costumava receber ameaças porque fazia muitas denúncias no blog. “Ele estava sempre à frente da maioria e seu blog era muito lido”.

O assassinato foi condenado então por associações de imprensa do Brasil e de todo o mundo, assim como pela Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH), Navi Pillay.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que também se uniu à onda de penas, lembrou que Sá foi o quarto jornalista assassinado nos primeiros meses do ano passado no Brasil.

*Com informações da Folha de S. Paulo e G1.

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