The Intercept anuncia estratégias e nova versão


03/08/2016


O jornalista Glenn Greenwald anunciou, nesta terça (2/08), que o site The Intercept terá uma versão brasileira, para fazer contraponto ao noticiário produzido pelos veículos da mídia tradicional. No texto de boas vindas do site, Glenn explica que haverá colaboração de jornalistas especializados, e que as pautas prioritárias, no momento serão o impeachment da presidente Dilma Rousseff e as Olimpíadas.

Glenn ficou reconhecido no Brasil, principalmente nos últimos meses, por denunciar a cobertura da grande mídia sobre o impeachment de Dilma ao mundo. No último mês, ele também revelou que a Folha de S. Paulo fez uma edição jornalisticamente fraudulenta da última pesquisa Datafolha, com o intuito de alavancar o governo do interino de Michel Temer.

o-site-the-intercept-do-premiado-jornalista-gleen-greenwald-fez-a-primeiO site possui duas entrevistas bastante solicitadas, uma com a presidente Dilma Rousseff (de maio de 2016) e outra com o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva (abril de 2016).  Além da equipe de jornalistas e editores brasileiros, o site também está recebendo material de jornalistas e meios de comunicação independentes. Greenwald também enfatizou a proteção de fontes.

A plataforma fornece um guia para que as fontes que quiserem contribuir para as reportagens possam enviar informações de forma confidencial e segura.

Leia o texto na íntegra de boas vindas do Intercept Brasil

“Bem vindo ao The Intercept Brasil

Quando começamos a escrever sobre a crise política que assolou o Brasil, não tínhamos a menor ideia do impacto que isso geraria. Mas a reação foi extraordinária. Nossos artigos sobre o Brasil (em inglês e português) têm aparecido entre as matérias mais lidas do The Intercept com frequência e nosso público tem crescido rapidamente.

Ficou claro para nós que há um enorme apetite por formas alternativas de jornalismo no país. Há muito tempo, o quinto país mais populoso do mundo é dominado por um número reduzido de veículos de comunicação, dos quais a grande maioria apoiou o golpe de 1964 e os 21 anos da violenta ditadura de direita que se seguiram. Essas instituições ainda pertencem às mesmas cinco famílias extremamente ricas e poderosas que tiveram um papel central nesse período. Em um país de tamanha diversidade  e pluralidade, esse monopólio resultou em um mercado de comunicação que asfixia a diversidade e a pluralidade de opiniões.

Acreditamos que a sede por um jornalismo mais independente, pluralístico e destemido vai além da crise política pela qual passa o país. Ao simplesmente ignorar grande parte da população, os grandes veículos de comunicação brasileiros mascaram os principais desafios sociais e econômicos presentes, assim como a diversidade de opiniões e movimentos existentes no país.

No fim de abril, a organização Repórteres Sem Fronteiras publicou seu ranking anual de liberdade de imprensa e o Brasil caiu para a 104ª posição, em parte devido à “propriedade dos meios de comunicação continuar concentrada nas mãos de famílias dominantes vinculadas à classe política.” Mais especificamente, o grupo observou que “de forma pouco velada, a mídia nacional dominante encorajou o povo a ajudar a derrubar a Presidente Dilma Rousseff” e “os jornalistas que trabalham nesses grupos midiáticos estão evidentemente sujeitos à influência de interesses privados e partidários, e esses conflitos de interesse permanentes são obviamente prejudiciais à qualidade do jornalismo produzido”.

Embora o Brasil desfrute de um dos conjuntos de jornalistas independentes e blogueiros mais dinâmicos e talentosos do mundo, eles normalmente enfrentam uma carência no apoio institucional necessário para que se atinja um impacto social amplo.

Com o intuito de ajudar a preencher essa lacuna, anunciamos hoje o lançamento do The Intercept Brasil. Para este projeto piloto, reunimos uma excelente equipe de jornalistas e editores brasileiros (conheça nossa equipe aqui) que produzirão matérias originais sobre as questões políticas, econômicas, sociais e culturais a serem publicadas na versão em português de nosso site. Também trabalharemos com jornalistas freelance de destaque e outros veículos independentes. Além disso, vamos traduzir nossos artigos de interesse internacional para o inglês, além de publicar outras traduções de matérias do Intercept em português. Siga-nos no Facebook e no Twitter.

Neste mês, nosso foco inicial será o julgamento e a votação final do impeachment da Presidente Dilma Rousseff no Senado Federal, assim como matérias sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Além da publicação de conteúdo original, vamos implementar os mesmos princípios de proteção de fontes que ocupam um espaço central na missão do Intercept. As mesmas tecnologias adotadas para que nossas fontes forneçam informações confidenciais contando com a máxima proteção contra vigilância e ataques on-line (como o SecureDrop) também serão disponibilizadas para nossas fontes de informação brasileiras. Os interessados em fornecer material para nossos jornalistas no Brasil em sigilo podem começar através deste guia.”

Veja como divulgar dados no The Intercept:

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