AP substituirá jornalistas por computadores em cobertura financeira


Por Igor Waltz*

03/07/2014


A agência de notícias Associated Press (AP), dos EUA, anunciou nesta segunda-feira, 30 de junho, que vai automatizar a maioria das histórias que produz sobre os resultados econômicos das empresas, que deixarão de ser escritas por repórteres para serem produzidas por máquinas. O vice-presidente e diretor-gerente da AP, Lou Ferrara, informou que a decisão deixará mais tempo livre para que os jornalistas cultivem suas fontes e cubram temas com maior profundidade. O novo método de trabalho deve entrar em vigor ainda em julho.

A AP divulga boletins com resultados financeiros sempre que uma companhia importante divulga seu balanço trimestral. O software emprega algoritmos para vasculhar os relatórios das empresas, extrair as informações relevantes e produzir um texto que tem entre 150 e 300 palavras. A agência avalia, agora, a possibilidade de automatizar a produção de notícias sobre resultados de esportes que não são muito populares nos Estados Unidos.

Por meio de um comunicado no site da companhia, o executivo explicou que o uso de computadores na cobertura financeira multiplicará em mais de 10 vezes o volume de informação sobre resultados corporativos. “Como todas as companhias de comunicação, a AP está revisando constantemente que conteúdos deve oferecer para seus clientes e qual é a melhor forma de usar seus repórteres”, afirmou Ferrara.

Maior volume de conteúdo

O diretor da maior agência de notícias americana destacou que “durante muitos anos” os jornalistas da AP destinaram grande quantidade de tempo para produzir informações sobre os resultados das empresas, com um volume de cerca de 300 notas por trimestre. Mas AP descobriu recentemente, segundo Ferrara, que a combinação de tecnologias de processamento permite a criação de notas curtas automaticamente.

“Ao invés de produzir 300 histórias manualmente, podemos oferecer cerca de 4,4 mil automaticamente” a cada trimestre, disse o vice-presidente de AP, que acredita que a automatização vai fazer parte de muitas indústrias, inclusive dos meios de comunicação. Ferrara destacou que essa medida vai oferecer mais tempo para que os jornalistas analisem o que significam os números, identifiquem tendências e encontrem histórias exclusivas que podem ser publicadas conjuntamente com os resultados.

Além disso, insistiu que a decisão não pretende eliminar postos de trabalho, mas liberar os profissionais para que façam “mais jornalismo e menos processamento de dados”.

A AP trabalhou para desenvolver a estrutura das notas sobre os resultados empresariais, que se ajustam ao manual de estilo da agência. A empresa de comunicação incluirá uma mensagem que identificará que notas foram criadas através do sistema automatizado.

Outras empresas jornalísticas também vêm automatizando áreas de seus noticiários. A revista Forbes, por exemplo, mantém um blog só com notícias financeiras geradas por um software robô da empresa Narrative Sciences. Já o jornal Los Angeles Times deu uma exclusiva sobre um terremoto na Califórnia recorrendo a um de seus “robôs”, que foi pré-programado para “trabalhar” quando ocorre um tremor.

O inventor do sistema é o jornalista e programador Ken Schwencke, criador do “Quakebot”, um algoritmo desenvolvido para extrair informações do Serviço Geológico dos EUA (USGS, sigla em inglês) quando ocorre um tremor e que depois as inclui em um modelo de notícia.

*Com informações da Agência EFE e revista InfoExame. 

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