“A arte da fotografia com herança de família”


27/10/2015


ANDREDUSEK_FOTOGRAFADO2Uma questão de família. Assim a fotografia está associada à trajetória de André Dusek. “O meu avô materno, húngaro radicado no Brasil, era arquiteto e gostava de música e de fotos. Eu não o conheci, ele morreu um ano antes de eu nascer. Mas tenho fotografias dele tocando violoncelo e também um auto-retrato feito num espelho
segurando uma câmera Voigthlander de chapa da década de 20. Essa câmera eu tenho até hoje. E ela ainda funciona com um ‘back’ para filmes 120.
Meu pai, checo naturalizado brasileiro, é pintor, escultor e gravador e sempre fez fotografias como amador. Ele ampliava suas fotos num velho laboratório em casa. Eu o acompanhava na luz vermelha da sala escura e achava um barato ver a imagem aparecendo imersa na banheira”, recorda. A influência da família não parou por aí. Por sinal, está bem conservada, com artigos do passado presentes até os dias de hoje.
“Meu pai nos fotografou, a mim e a meus irmãos, quando éramos crianças, e guarda esses negativos até hoje. O meu tio, irmão de meu pai, era fotógrafo e cinegrafista. Eu cresci cercado de quadros e fotos por todos os lados e vendo os álbuns de família. Tenho álbuns desde o século XIX. Minha primeira câmera foi uma Tuka de plástico de filmes 127. Só aprendi fotografia seriamente com o meu pai já em Brasília, em 1975, no mesmo laboratório montado em casa”, conta Dusek, numa referência ao primeiro professor.
“A fotografia é uma forma de expressão popular. É relativamente fácil fotografar e todo mundo tem, por pior que
seja, uma câmera ou um celular para registrar sua família, seus amigos e a vida.

Além disso, é uma forma de expressão universal, pois todos a entendem, não é preciso ter tradução. Se a pessoa é analfabeta, não lê o texto, mas vê as foto se de certa forma recebe a mensagem”, acredita. Por isso mesmo, diz Dusek, uma boa fotografia, antes de ser esteticamente boa, precisa informar, contar uma história. Servir à matéria jornalística. De preferência, sem depender da legenda. A formação acadêmica ocorreu na graduação em Comunicação da Universidade de Brasília, onde ingressou em 1976.

“Na época, não havia professor de fotografia e fui me aperfeiçoando com os laboratoristas do departamento. Fazia
fotos e escrevia textos para jornais de laboratório. Comecei a fotografar em 1975, e meu primeiro trabalho profissional, antes de me formar, foi para um jornal do MDB, chamado Campanha, em Catalão, Goiás, em 1978. Logo depois fui trabalhar quase de graça na sucursal Brasília da Bloch, para as revistas Manchete e Fatos & Fotos. Durante um tempo, fazia textos efotos. Faziatudo.Quando resolveram me contratar me perguntaram se queria ser repórter de texto ou fotográfico. Embora goste de escrever até hoje, optei pela fotografia”, diz. A partir de então, muitos foram os veículos que contaram com o trabalho deste carioca, nascido em 1956.

ANDREDUSEK_FOTOGRAFADO“Fui fotógrafo do Correio Braziliense de 1980 a 1982, presidente da União dos Fotógrafos de Brasília, e membro da agência Agil Fotojornalismo, de 1982 a 1989. Trabalhei na Agência Estado e no jornal O Estado de S. Paulo, de 1988 a 1994. De 1994 até 2006, fui repórter fotográfico da IstoÉ, sucursal de Brasília. Em 2006, voltei a integrar a equipe de fotógrafos do Estadão em Brasília”,lista ele, que recebeu o título de ‘Jornalista Amigo da Criança e do adolescente’, concedido pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância-Andi.
“Tenho vários momentos marcantes. Fui o primeiro fotógrafo a fazer uma reportagem no garimpo de Serra Pelada, no seu auge, em 1980. Tive a oportunidade de acompanhar o Major Curió e acabei fazendo uma grande matéria que rendeu duas primeiras páginas no Correio Braziliense. Mas a minha melhor foto foi feita em 1989. Fui com a repórter Eliana Lucena, pelo Estadão, acompanhar uma equipe de saúde da Funai numa missão no Rio Cuminapanema, Norte do Pará. Lá existia uma aldeia de índios isolados, os Zoés, que estavam doentes após contato com missionários brancos. Um dia, eu e o cinegrafista Gustavo Hadba, de uma tv alemã, seguimos um índio que saiu pra caçar. Ele levava um arco e duas flechas. No momento em que foi atirar a primeira delas, como estava nu, não tinha aonde colocar a segunda, e a posicionou entre as próprias pernas. Fiz várias fotos. Além de plasticamente bonita, ficou engraçada, pois a primeira impressão que se tem é que a flecha está ‘enfiada’ e não apenas colocada entre as pernas. É uma foto polêmica e que desperta a curiosidade de todos os que a vêem”, conta.

 

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