Em um momento crítico para a segurança pública do Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) sediou o seminário O Nó Cego da Segurança no Rio: Novas Estratégias para Superar o Confronto e Salvar Vidas, nessa terça-feira (18), no sétimo andar da sede histórica da entidade, que reuniu autoridades, acadêmicos, operadores de segurança das polícias Civil e Militar, e jornalistas para um debate profundo e multidisciplinar sobre os rumos do combate ao crime no estado.
O objetivo central do seminário foi buscar alternativas viáveis que ultrapassem a atual e trágica lógica do confronto, que vitimiza diariamente moradores de áreas conflagradas e agentes de segurança. O Rio de Janeiro enfrenta o desafio complexo da retomada de territórios dominados por facções do tráfico e grupos milicianos, e a ABI, cumprindo seu papel histórico de fórum de debates da sociedade civil, abriu suas portas para uma discussão qualificada e propositiva.
A abertura do evento foi feita pelo presidente da ABI, o jornalista Octavio Costa, que contextualizou a urgência do debate.
Em seguida, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, falou sobre a retomada de territórios dominados pelo tráfico e milícia, apresentou o diagnóstico atual, as estratégias em curso e as perspectivas da pasta para reverter o cenário de violência. O Secretário respondeu perguntas e foi questionado pelo conselheiro da ABI, Marcelo Auler.
Na sequência, foi exibida uma edição do video da EBC, Mães de Luta, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, ganhador do prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos este ano, no qual Ana Paula Gomes de Oliveira, vencedora do prêmio Martin Ennals, e tantas outras mães falam sobre suas lutas sem direito ao luto.
Mesa 1: Segurança Pública: O que fazer?
O primeiro painel colocou em perspectiva a questão central: “O que fazer?”, reunindo três vozes com vasta experiência prática e acadêmica no campo da segurança. Ibis Pereira, advogado, Coronel da Reserva da PMRJ e Doutor em História Política, conhecido por sua análise crítica e profunda das estruturas de policiamento; Leonardo Affonso, Delegado da Polícia Civil do RJ e presidente do Sindicato dos Delegados (SINDELPOL-RJ), trouxe a visão da polícia judiciária e os desafios da investigação; e Antonio Carlos Carballo, Coronel da Reserva da PMRJ, que foi diretor geral de ensino da corporação e Coordenador do GPAE (Grupamento de Policiamento de Áreas Especiais), a unidade que antecedeu as UPPs, trazendo um conhecimento único sobre projetos de policiamento comunitário e de proximidade. A mediação foi da jornalista Paula Máiran.
Veja a íntegra dos debates da manhã: https://www.youtube.com/live/32GmWXHGjTY?si=9gC2O_rtYBhU1HqA
Mesa 2: Proliferação de armas pesadas e Sistema financeiro do crime
A segunda mesa mergulhou nos pilares que sustentam as organizações criminosas: o poder de fogo e o dinheiro. Nenhum debate sobre segurança avançará sem o entendimento claro das rotas do tráfico de armas e dos mecanismos de lavagem de dinheiro que financiam o crime organizado, com Carolina Christoph Grillo, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do GENI/UFF (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos), uma das principais referências acadêmicas no estudo das facções e milícias no Rio; Eduardo Santos de Oliveira Benones, Procurador da República (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro), que atua diretamente na asfixia financeira de grupos criminosos; e Ignacio Cano, sociólogo, professor da UERJ e membro do Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ), que trouxe dados e análises sobre o impacto da proliferação de armas na letalidade violenta. A mediação foi do jornalista Antonio Werneck, repórter investigativo com vasta experiência na cobertura de segurança e crime organizado.
Mesa 3: O papel da imprensa na cobertura da segurança pública
Encerrando o evento, a Mesa 3 debateu o papel da imprensa na cobertura da segurança pública, discutindo os desafios éticos, os riscos físicos e as narrativas construídas pela mídia ao cobrir um tema tão complexo, com a repórter Clara Nery, da Band, que está diariamente nas ruas cobrindo operações; o jornalista Chico Octavio, professor da PUC/RJ e um dos mais respeitados repórteres investigativos do país; Fabio Leon, Coordenador de Comunicação do Fórum Grita Baixada e repórter do Rio On Watch, que trouxe a perspectiva crucial da comunicação comunitária e dos territórios periféricos, e Marcelo Auler, conselheiro da ABI, repórter e comentarista do site e TV 247, com foco na fiscalização dos agentes públicos. A mediação foi da jornalista Cecilia Oliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado.
O conselheiro da ABI, Marcelo Auler, questionou: “Que jornalismo é esse que estamos fazendo?”.
Veja a íntegra dos debates da tarde: https://www.youtube.com/live/TsptVrf6G-I?si=j2cmvHN7iLwyCkRu
Veja a entrada ao vivo do Repórter Brasil Tarde da TV Brasil.
Veja matéria do Repórter Brasil da TV Brasil.