14 de agosto de 2022


ABI perde Jesus Chediak,
vítima de Covid-19


08/05/2020


Por Ana Helena Tavares e Claudia Sanches

A Covid-19, que já fez cerca de 10 mil vítimas no Brasil, vitimou, na tarde desta sexta (8), o jornalista, escritor, cineasta e dramaturgo Jesus Chediak, de 78 anos, que era diretor cultural da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e atuava como curador da superintendência de Artes da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Chediak estava internado desde segunda-feira, 4, no Assim Medical Center do Méier, Zona Norte do Rio. A Prefeitura de Duque de Caxias, cidade onde Chediak deixou sua marca como secretário de Cultura, na gestão do ex-prefeito Alexandre Cardoso, decretou luto oficial de três dias pelo falecimento

Artista multi-talentoso, Chediak era associado da ABI há mais de 40 anos. Jogou sinuca com Villa Lobos nas lendárias mesas de bilhar do 11º andar da entidade. Participou de vários Conselhos da Casa do Jornalista. Dividiu cadeiras de conselheiro com Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e tantos baluartes da cultura brasileira. Foi diretor de Cultura durante a gestão de Barbosa Lima Sobrinho e, mais recentemente, nas gestões Maurício Azedo, Domingos Meirelles e Paulo Jeronimo Sousa. Lançou na ABI o Cine Macunaíma, sendo um precursor do cinema novo. Montou, com parcos recursos, no teatro do 9º andar da entidade, uma peça sobre a morte de Vladimir Herzog, considerada pela revista Veja como a melhor daquele ano de 1976.

Chediak foi também diretor da Casa França Brasil e professor da Universidade Federal da Bahia e autor de diversos livros, entre eles “Brasil, país do presente: contribuições para a formulação de um socialismo cristão brasileiro”. Entre os filmes que produziu, o mais recente foi um sobre a vida de Pedro Aleixo. Era irmão de Almir Chediak, morto em um assalto em 2003. Uma de suas peças de teatro era uma sofisticada obra expressionista chamada “O poder dos inocentes”.

Jesus Chediak deixa a esposa Glória Chediak, também jornalista, e quatro filhos já adultos: Paloma, Tiago, Julian e Neelash.

O presidente da ABI, Paulo Jeronimo Sousa, lamentou a perda do companheiro de tantas lutas na Casa do Jornalista, e o fato de não poder se despedir do amigo, nesses tempos tão difíceis.  “Em tempos normais, faríamos o velório na própria ABI, que era a sua casa. É muita tristeza”, disse ele,  acrescentando:

“Perdemos hoje um grande companheiro, Jesus Chediak, diretor cultural da ABI, jornalista, escritor, cineasta, dramaturgo e professor. Enfim, um homem plural. Eu, particularmente, estou arrasado. Estivemos juntos nas últimas quatro campanhas pela direção da ABI. Era muito mais que um amigo; era um irmão. E o mais devastador é que não podemos nem sequer nos despedir dele. Em tempos normais, faríamos o velório na própria ABI, que era a sua casa. É muita tristeza. Manifesto, em meu nome, em nome da minha família e em nome de todos os seus companheiros de militância e de convívio fraterno na ABI, o mais profundo pesar por esta perda desoladora. Estamos solidários com a dor de sua mulher, Glorinha, e de seus filhos. Que nosso querido Jesus Chediak descanse em paz” .

Apaixonado por política e pela sétima arte, Chediak escreveu os roteiros de “Os viciados” (1968) e “Banana mecânica” (1974). Chegou a trabalhar como ator nos filmes “A lenda de Ubirajara” (1975), “Ladrões de cinema” (1977) e “As borboletas também amam” (1979), e produziu e dirigiu “Parto para a liberdade — Uma breve história de Pedro Aleixo”.

Este documentário, lançado na sede da ABI em 2015, revela acontecimentos inéditos nos bastidores da promulgação  do AI-5, em 13 de dezembro de 1968.

Também como Diretor de Cultura e Lazer da ABI, implantou projetos como o CINE ABI, que acontecia semanalmente sétimo andar da entidade. Chediak fez história ainda como ex-diretor da Rio Arte e do Teatro João Caetano.

“O produtor, ativista, teatrólogo, cineasta e jornalista deixa um enorme legado para o município e para todos aqueles que o admiravam”, disse o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. .

Amigos deixaram mensagens de carinho e de pesar nas redes sociais:

“Chediak, a lembrança que vou guardar da nossa convivência é a melhor possível. Você vai fazer falta. Vá em paz, amigo”,  disse Cid Benjamin, vice-presidente da ABI.

O ex-deputado Vivaldo Barbosa escreveu: “Perdemos um grande lutador. Tristeza. Grande amigo, extraordinário companheiro de lutas. Vamos lembra-lo sempre. Continuaremos”.

A Conselheira da ABI, Ana Helena Tavares, foi uma das primeiras a trazer a triste notícia:

“Amigos, infelizmente, o nosso querido Jesus Chediak não resistiu e faleceu por volta das 15h de hoje, no hospital Assim Medical Méier, onde estava internado desde segunda, dia 04. Ele, que havia tido melhoras de ontem para hoje, acabou falecendo em decorrência de complicações da Covid-19.

Apesar de a informação já ter vazado para alguns grupos, só estou informando agora pois busquei seguir o protocolo de a família ser informada antes. Estou absolutamente arrasada, pois, como muitos sabem, mantinha com o Jesus uma amizade próxima já há alguns meses, amizade esta que me abriu horizontes. Jesus é um patrimônio da ABI e da Cultura Brasileira.

Que nós que o amamos e admiramos saibamos levar adiante seu legado. Descanse em paz, meu amigo. Que Deus o receba na luz”, escreveu .

Dulce Tupy

Adeus, Chediak. Na última vez, nos encontramos na Biblioteca Parque, na Av. Presidente Vargas, num simpósio sobre carnaval, você me deu um livro lindo sobre o patrimônio cultural no Estado do Rio de Janeiro. Você foi um verdadeiro intelectual, com seu terno de risca de giz, um lord, um príncipe da cultura, um dândi, com Oswald ou Mário de Andrade, naquele Rio Art Déco do século passado, que admirávamos tanto, saboreando um chá ou um chopp no Largo da Carioca ou na Cinelândia…

Marcelo Auler

Continuemos rezando por ele e para ele. Para que de onde estiver, primeiro ajude a consolar a dor que sua família sentirá, muito maior que a nossa, sem dúvida. Mas também que ilumine nossos caminhos nessa árdua luta contra este estado de coisa que estamos vivenciado. Contra essa ditadura que estão pouco a pouco plantando no país. Com muita omissão dos mesmo Podres Poderes que ajudaram a chegarmos onde chegamos. Vá em paz Jesus Chediak.

Vera Perfeito:

“Muito triste pela morte do Chediak e também pelo sofrimento da Glória, sua mulher por mais de 40 anos”.

Ágata Messina

Chorei com a notícia e com a foto. A vida é mesmo um sopro, completamente imprevisível. Que o nosso amigo esteja bem, rodeado pela luz mais brilhante, e que Deus traga o consolo necessário à família por essa perda repentina.

Homenagem do Instituto Brasilidade

O Instituto da Brasilidade anuncia, com pesar, o falecimento de seu Diretor de Comunicação Social, o jornalista Jesus Chediak, aos 78 anos de idade, vítima de Covid-19. O falecimento ocorreu nesta sexta-feira (08/05), no Hospital Assim Méier.

Chediak ocupava atualmente cargo de curadoria na Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, após deixar a direção da Casa França-Brasil, onde esteve até 2019. Ele também ocupava a função de diretor de Cultura e Lazer da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

No Instituto da Brasilidade, Jesus Chediak participou ativamente da organização dos Seminários da Brasilidade, especialmente na elaboração do debate sobre os rumos do cinema nacional, promovido em 02/09/2019.

Nosso companheiro se dedicou à Sétima Arte por mais de quatro décadas. Entre suas muitas obras de destaque, frisamos o documentário “Parto para a liberdade – Uma breve história de Pedro Aleixo” (2014), onde foi dissecada a vida do ex-vice presidente, bem como as razões de sua ruptura com a Ditadura Civil-Militar.

Foram múltiplos os talentos de Jesus Chediak. Mas, sobretudo, sua generosidade deixará marcas profundas em nossa memória. Atento aos talentos dos mais jovens, emprestou sua experiência e cultura geral à estruturação do IB. Sem ele, seguiremos desfalcados, mas cientes do papel histórico a que ele nos estimulava.

À esposa, Glorinha, e aos filhos e netos, os nossos sentimentos. Ao amigo que partiu, as nossas saudades.

 

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