3 de outubro de 2022


ABI participou de evento do grupo “Derrubando Muros”


13/08/2021


A convite do jornalista e ex-deputado federal Miro Teixeira, a ABI, através de seu presidente, Paulo Jeronimo, o Pagê, participou do evento promovido pelo grupo chamado “Derrubando Muros”, formado por empresários, ONGs, personalidades e comunicadores.

Participarão, dentre outros, Cristóvão Buarque, Fernando Gabeira, Horácio Piva, Ilona Szabo, Marcelo Madureira, Márcio Fortes, Nelson Jobim, Raul Jugmann, Sérgio Besserman, Tabata Amaral, Marco Ruediga.

Para acompanhar, segue o link: https://us02web.zoom.us/j/83567055500

Segue abaixo o pronunciamento do presidente da ABI, Paulo Jeronimo

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU não deixa margem para dúvidas: a ação humana está conduzindo o mundo ao limiar de uma catástrofe. Se não agirmos agora, as próximas gerações serão obrigadas a tentar sobreviver num planeta hostil e ameaçador.

            Depois do combate à COVID, evitar o agravamento das mudanças climáticas é o maior desafio posto diante da humanidade. Para a COVID, os países já têm as vacinas. Para salvar o planeta, a vacina é nossa capacidade de agir, de pressionar empresas poluidoras e governos para tomarem medidas concretas de redução das emissões de carbono. Tal como no caso da COVID, a ciência aponta o caminho.

            O Painel já mostrou as consequências da omissão. Aumento da temperatura do planeta, ondas de calor, tempestades, enchentes, secas, incêndios. O mundo dos extremos. Mais frequentes e mais intensos. O aquecimento dos oceanos, o derretimento de massas de gelo e o aumento do nível do mar que ameaça países insulares.  

            O flagelo atingirá ricos e pobres, nações desenvolvidas ou não. Perde o meio ambiente, perde a produção agrícola. Perdemos todos. Porque somos uma coisa só. O homem é parte do meio ambiente, embora milhões de pessoas não tenham a percepção de que estamos todos no mesmo barco.

            As mudanças climáticas terão especial impacto nas regiões tropicais e isso nos atinge em cheio. As projeções nos chegam em momento especialmente dramático da vida nacional, com um governo inimigo do meio ambiente. Mais uma vez o paralelo com a COVID. O governo responsável pela morte de 560 mil brasileiros é também o maior agressor do meio ambiente no Brasil. Temos um presidente genocida e ecocida.

            Os constituintes de 1988 escreveram na carta magna: “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum ao povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

            Bolsonaro agride a Constituição, promovendo uma guerra de extermínio contra os nossos biomas, nossas florestas, águas e biodiversidade. E volta-se com ferocidade contra as comunidades humanas que são parte integrante dos ecossistemas desde tempos imemoriais, notadamente os povos indígenas.

            Requer nossa especial atenção a Amazônia, última e maior fronteira de recursos naturais do mundo, maior repositório de água doce superficial e de um terço das florestas tropicais que restam no planeta. Fonte de informação genética ainda desconhecida. Sabemos quais as consequências das “boiadas” e do “correntão” nas regiões em que há séculos vigora a lei do mais forte: devastação ambiental, desagregação social, ruptura cultural, violência e criminalidade.

            O menosprezo ao meio ambiente desconsidera a construção histórica da liderança do Brasil neste tema, que demandou décadas de esforços do Estado brasileiro, de instituições científicas, universidades, ongs, comunidades e setor privado, entre outros. Um marco desta construção foi a realização no Brasil da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. A agendaambiental ganhou impulso entre nós. O espírito colaborativo guiou a ação do Brasil nos fóruns internacionais. Chegamos em 2012, a Rio + 20.  

            O Brasil não pode perder seu lugar de protagonista na discussão de soluções, em que pese a ruptura provocada pelo atual governo. O momento de retrocesso socioambiental que vivemos não pode nos levar a uma involução na escala civilizatória.

            Precisamos reagir à altura do momento histórico. Nossa luta pela democracia no Brasil é também a luta por um país inclusivo e em que todos possam usufruir dos benefícios do desenvolvimento sustentável e de um meio ambiente saudável. Nossa luta por um Brasil melhor está conectada com a luta por um planeta melhor. E se a ação humana nos trouxe ao limiar da tragédia climática, é a ação humana, a NOSSA ação, que será capaz de evitá-la. Podemos e devemos agir agora para proteger nosso futuro como espécie e salvar nossa casa comum.

     Para acompanhar, segue o link: https://us02web.zoom.us/j/83567055500

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